quinta-feira, 30 de julho de 2015

UM RIVER A LO BOCA EM SOLOS MEXICANOS


Confesso que toda a indisposição matinal, a falta de humor, a prisão de ventre e as amarguras noturnas se originam pela cruel distancia entre Santo André e Mérida. Fotos 3X4, um bombom de cereja e a mecha derradeira de seus cabelos encaracolados são meras lembranças que hoje me servem pouco e nada. Mero detalhe, pois nesta quarta teria início a final da Libertadores, justamente em solo azteca, no dia em que me sentia dentro das mais tolas tramas da Televisa. Eis que por esses regulamentos pífios, no melhor estilo Conmebol de ser, um quadro mexicano, pela terceira vez na história, era obrigado a começar a série final em seu campo e contra toda tradição, ímpeto e bastidor favorável ao rival sudaca. Olho no mapa e vejo que entre Mérida e Monterrey existe um enorme horizonte que cruza o Golfo do México de sul à norte. Não é um mero detalhe, ainda havia sol, fato raro em Libertadores, historicamente noturna e gelada nas finais de Julho. Pelo skype Karla me diz que faz um calor infernal e que as paletas não devem ser mexicanas, pois habitam apenas os shoppings tupiniquins. 

Dor de cotovelo à parte, desligo o som de Odair José https://www.youtube.com/watch?v=W4Dr5KPuC2Y para acompanhar Tigres e River. Sim, apesar do bairrismo que insiste em desdenhar na Libertadores quando não há um grande da cidade em disputa - no mesmo horário jogavam Atlético Mineiro x São Paulo e Corinthians x Vasco - era noite de final de Libertadores e sagrado por si só em nosso imaginário, o cotejo copero começou com o River travando o meio-campo no 4-4-2 em linha. Gallardo sabe do que se trata. Hei de recordar que o glorioso Muñeco aprecia e defende o jogo ofensivo, o toque de bola que caracteriza a escola millonaria desde de tempos idos. Contudo, na atual edição da Libertadores, quando foi preciso ir para o combate, não exitou em armar duas linhas de quatro, botar a armada charrua e posiocionar Ponzio e Kranevitter como doble 5 para morder. 

Um River uruguaio, com Carlos Sanchez e Tabaré Viudez combatendo as subidas de Torres Nilo e Jimenez. Mora, o artilheiro do time, também adepto do mate, do candombe e do huevo oriental, ficava inócuo ao lado do pibe Alario, assistindo um perde e ganha danado no meio campo. O Tigres de Tuca Ferretti tinha a posse, também o território que era ocupado com o passar do tempo. A pressão riverplatense durou pouco, meros 10 ou 15 minutos. Arevalo Rios se desprendia como elemento surpresa ao lado de Rafael Sobis, transformando o 4-2-3-1 em um 4-1-4-1 bem claro. Guido Pizarro tinha total liberdade para armar o time como volante central, distribuindo e abrindo o corredor dos laterais. Damian Alvarez, criado em Nuñez, começava na ponta esquerda no lugar do excelente Javier Aquino, algoz colorado, dando calor em Gabriel Mercado. O lateral do River que tem a chave do vestiário, tomou o segundo amarelo, perdendo assim a decisão no Monumental. Um primeiro tempo travado, com Sobis controlado por Kranevitter. Gignac sentiu o peso do jogo bruto sudaca na disputa ingrata contra Maidana e Funes Mori. Jurgen Damm contra Vangioni era o único a levar vantagem. O gol quase surgiu por ali. A primeira pegou no travessão, naquela que foi a melhor jogada em um primeiro tempo faltoso, fiel ao que propunha os millonarios.


Viudez e Mora sentiram uma contusão. Gallardo não hesitou em armar um 4-4-1-1 bem claro, com os ingressos de Pity Martinez para conter Pizarro, além de Nicolás Bertolo que entrou na mesma função de Viudez, pelo flanco esquerdo da segunda linha do meio campo. O pibe Alario ficava isolado entre Rivas e Juninho como coadjuvante em Monterrey. Ferreti ainda jogou seu time de vez com a entra de Jesus Dueñas no lugar de Arevalo. O River foi pressionado. Soube sofrer. Ponzio, um monstro para travar os rivais, passou do ponto e quase viu o segundo amarelo em entrada forte em Rafael Sobis. Gallardo também perderá a final, foi expulso após reclamação. O paraguaio Arias, no melhor estilo brasileiro de apitar, não hesitou em mandar o Napoleón para as tribunas. Lucho Gonzalez fechou o meio campo ao lado de Kranevitter, o novo do jogo pelo lado de La banda roja. Damm teve a melhor chance do jogo, ao driblar Barovero e titubear na definição. Por fim, o River leva a decisão para Buenos Aires com o resultado que queria. Um River de huevo, nada gallina e pronto para ser tricampeão das Américas. https://www.youtube.com/watch?v=kndJ4nd_ieI

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

VELHOS SÃO OS TRAPOS

Na América latina o provérbio popular que diz que viejo son los trapos. Nesta tarde de superclássico argentino, o Monumental de Nuñez foi palco da confirmação de que os ditos populares devem ser levados a sério. Martín Palermo e Marcelo Gallardo, que já haviam anotado os gols no último superclássico válido pelo Torneio Clausura, explicarão o porquê.

O jogo começou sob a feição do River Plate. Leo Astrada, que durante a semana fez mistério enquanto a formação ofensiva do conjunto millonario, apostou pelo tridente Gallardo, Ortega e Buonanotte - e como veremos adiante, obteve muito êxito na sua escolha. Matias Almeyda tinha a incomoda missão de acompanhar a Juan Román Riquelme e, tirando o lance do gol xeneise, a cumpriu da melhor maneira.Pelos lados do campo, Nico Domingo e Ferrari venciam seus duelos com Insua e Monzon. Pelo lado esquerdo, Villagra e Abelairas, com o auxilio do serelepe Buonanotte, tomavam conta de Battaglia e Ibarra. Assim, o River era o dono do meio campo e começava a lastimar a meta xeneise,entre outras coisas, graças ao talento de Gallardo, que levou Rosada para passear durante a primeira parte do jogo.Palermo e Gaitán eram meros espectadores do jogo. Com um Riquelme desarticulad0 - pelo ótimo trabalho de Almeyda - além da derrota parcial nos duelos entre laterais e meias, os dirigidos de Coco Basile, não tinham a bola, e quando a possuíam, tratavam- a mal. O que sintetiza o primeiro tempo de Boca são as escassas oportunidades criadas pela equipe. A primeira chance veio através de um chute sem perigo de Rosada, aos 15 minutos. A segunda -e última - surgiu de um arremate sem convicção de Battaglia nos acréscimos da primeira etapa. Muito pouco para o elenco mais caro da Argentina.

O River já havia ameaçado aos 6 minutos, quando Buonanotte achou Nico Domingo,entre a última linha do Boca. O meia direita bateu rente ao poste direito defendido por Pato Abbondanzieri. Foi o aviso do que viria 17 minutos depois. Após um passe cirúrgico de Ortega, Buonanotte ajeitou a redonda com o braço, entrou na área e foi atropelado por Monzón. Saul Laverni, equivocadamente, apontou a marca de cal: penalti para o River. Ortega telegrafou a batida, e Abbondanzieri defendeu. Os torcedores millonario já deviam estar pensando que assim como em outros superclássicos desta década, os deuses do futebol estavam vestido de azul e amarelo. Mas Gallardo mostrou que não era bem assim. Após falta recebida por Buonanotte na entrada da área, el muñeco encontrou o ângulo direito de Abbondanzieri para anotar o gol da justiça: 1 a 0.

Os donos da casa seguiam impondo o seu jogo. Aos 35 minutos, Matias Abelairas passou como um raio pelas costas de Ibarra, arrematando para a firme defesa de Pato Abbondanzieri. O intervalo tinha sabor amargo para o River, que apesar do amplio domínio, chegava ao vestiário somente com a mínima vantagem no placar.

Para o segundo tempo, Ibarra, que vinha de uma lesão no tornozelo, foi substituído por Gary Medel. Se a alegria de pobre dura pouco, o que dizer da alegria millonaria. A segunda etapa chegava a seu segundo minuto quando Villagra tolamente matou um contra-ataque derrubando Battaglia e vendo o seu segundo cartão amarelo. Era o começo do fim para o River Plate. Abelairas foi para a lateral-esquerda, e neste setor começou a brilhar o futebol de Nico Gaitán. Nem mesmo a expulsão de Julio Caceres – que devolveu uma gentileza de Ortega, este que assim como na Copa de 98, tirou nota 10 no quesito cênico – foi capaz de deter o iminente domínio boquense.

Coco Basile inteligentemente postou sua defesa com uma linha três zagueiros: Medel, pela direita, Monzón pela esquerda e Paletta na sobra. Rosada se postou como único volante, ao passo que Battaglia se posicionou pela meia-direita.Pocho Insua deixou o campo para a entrada de Pochi Chaves. O jovem meia boquense atuou pelo lado esquerdo do ataque. Gaitán seguia fazendo estragos pelo lado esquerdo, tanto que aos 7 minutos fez fila na defesa do River, chutando para firme defesa de Daniel Vega. Astutamente, Leo Astrada sacou a Gallardo, deixando Coronel como lateral-esquerdo com a missão de parar Gaitán.

O Boca rodava a bola, ganhando o meio-campo com um Riquelme mais ativo que o habitual. O próprio Román quase anotou o gol de empate com um arremate que passou perto do gol millonario. Nem mesmo Coronel foi capaz de deter Gaitán. Ortega, de péssimo segundo tempo, perdeu a bola em seu campo, armando o contra-ataque do Boca. Gaitán rolou na área, Riquelme com um toque genial de calcanhar, serviu Palermo. O centroavante muitas vezes criticado por seu jogo, mostrou todo seu repertório ao anotar o empate em chute com sua perna menos hábil: 1 a 1 e festa dos quase quatro mil hinchas xeneises que foram ao Monumental.

Apesar da clara superioridade boquense no segundo tempo, foi o River Plate quem teve a última chance de vencer o superclássico. Monzón, de péssima partida, perdeu o tempo de bola, assim Buonanotte arrancou pela direita, deixou Paletta e Rosada na saudade, rolando limpa para que Abelairas se consagrasse. No entanto, o meia-esquerda chutou mascado. A bola beijou a trave de Abbondanzieri, que com a imagem da Virgen de Luján em mãos, apenas rezou para que o empate continuasse. Para sorte do arqueiro xeneise, a padroeira da Argentina o atendeu e foi o fim do superclássico.

Em um jogo marcado pelas características contemporâneas: aplicação tática, disposição física e pouca magia, os craques, que carregam uma década de superclássicos nos hombros, definiram a sorte do jogo mostrando que velhos são mesmo os trapos.

Felipe Bigliazzi

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SURPRESAS E DEPRESSÕES

Depressivamente, voltou o futebol na Argentina.Em sua quarta rodada, o Torneio Apertura, traz um mais do que surpreendente líder: o Rosario Central. Os canallas, que escaparam do rebaixamento na última temporada graças a Promoción, hoje com um time repleto de jogadores surgidos nas categorias inferiores, lidera o torneio Apertura com 100% de aproveitamento.Nessa rodada os comandados de Cuffaro Russo foram a Parque Patricios - o Chacarita mandou no campo do Huracán - e venceram o Chacarita por 1 a 0, com gol de Emilio Zelaya.

Mais surpreendente ainda é o rendimento dos cinco grandes times do futebol argentino. O River segue sem vencer. Dessa vez, empatou sem gols com o Colón em pleno Monumental. O Boca foi a Tucumán e amargou outra derrota: 2 a 0 para o decano tucumano. O Racing abriu a rodada empatando em 1 a 1 com o Gimnasia de La Plata. Ruben Ramirez havia colocado a academia em vantagem, mas no segundo tempo o ex- racinguista, Chirola Romero, decretou o empate, pedindo desculpas a sofrida torcida do Racing que foi ao Cilindro de Avellaneda. O San Lorenzo empatou sem gols com o Velez Sarsfield em Liniers, nesse que já se tornou um clássico portenho, devido a imensa rivalidade entre as duas parcialidades. O Independiente perdeu para o Estudiantes no campo do Quilmes - O estádio unico de La Plata passa por reformas para receber jogos da Copa América de 2011, que será disputado na Argentina. Boselli marcou o primeiro para os pincharratas, logo depois Gandim empatou para os rojos. Quando o jogo se encaminhava para o empate, apareceu Juan Manuel Diaz para anotar o 2 a 1 final.

RESULTADOS

RACING 1 X 1 GIMNASIA LA PLATA
NEWELL'S 0 X 1 ARGENTINOS JUNIORS
CHACARITA 0 X 1 ROSARIO CENTRAL
VÉLEZ SARSFIELD 0 X 0 SAN LORENZO
TIGRE 1 X 2 ARSENAL
ATLÉTICO TUCUMÁN 2 X 0 BOCA JUNIORS
LANÚS 1 X 2 BANFIELD
RIVER PLATE 0 X 0 COLÓN
GODOY CRUZ 1 X 1 HURACÁN
ESTUDIANTES 2 X 1 INDEPENDIENTE

FELIPE BIGLIAZZI

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

COMO JOGARÁ A ARGENTINA EM ROSÁRIO

Muito já foi dito sobre o superclássico sulamericano entre Argentina e Brasil. Tanto lá, quanto cá, foram publicadas matérias sobre os chatíssimos treinos dos selecionados, o clima em Rosário,as declarações "provocativas" armada pelos jornalistas, a saga dos famosos rosarinos - Messi,Che Guevara e Fito Paez - e até mesmo a famigerada Iglesia Maradoniana, que tem sede na capital da Província de Santa Fé.No entanto, pouco se falou a respeito das questões táticas da partida e como irá jogar a Argentina.

O arqueiro será Mariano Andújar, que ganhou a posição de Juan Pablo Carrizo nos últimos jogos das eliminatórias e vem respondendo da melhor maneira, não por acaso é o goleiro campeão das Américas defendendo o Estudiantes de La Plata. A zaga será composta por uma linha de 4 defensores. Maradona decidiu apostar no entrosamento do miolo de zaga campeão argentino pelo Vélez Sarsfield composta por Nicolás Otamendi e Sebá Dominguez. O jovem Otamendi terá uma prova de fogo em sua terceira participação como titular do selecionado nacional. Otamendi, disputou os amistosos contra o Panamá e contra a Russia, deixando uma ótima impressão em Maradona e aos exigentes críticos argentinos. Já Sebá Dominguez atuará a direita da zaga, aguardando mais a sobra, pois Otamendi é mais rápido e técnico para o primeiro combate em cima de Luis Fabiano. As laterais serão compostas por Heinze e Javier Zanetti. O conservadorismo neste setor se deve aos avanços de Maicon e André Santos, uma preocupação latente no corpo técnico argentino.

O meio campo terá Mascherano como cão de guarda de Kaka. Os dois jogadores se conhecem desde os clássicos das categorias de base, sem contar as duas finais de Champions League entre Milan e Liverpool, onde este duelo foi acirradíssimo. Verón Atuará ora como segundo volante, travando um duelo com Felipe Melo, ora como meia armador, encostando em Messi, Dátolo e Tevez no comando das ações ofensivas. Maxi Rodriguez, pela direita, e Jesus Dátolo pela esquerda, terão a missão de frear os avanços dos laterais brasileiros, travando um duelo decisivo para o resultado final da peleja.

O ataque será formado por Lionel Messi e Carlitos Tevez. o jogador do Manchester City ganhou a disputa com kun Agüero, do Atlético de Madri, devido as circuntâncias do jogo planejado por Maradona. Tevez ficará a esquerda do ataque, afim de preocupar Maicon na marcação, além de ser um jogador de mais explosão e contato físico, e assim brigará de frente com a dura zaga brasileira.Messi, segundo Maradona, não terá posição fixa, tendo assim, total liberdade para sair da direita, atuar pelo meio como armador e até, terminar as jogadas pelo setor esquerdo. Eis o desenho tático do selecionado argentino:

------------------------------ANDÚJAR----------------------------
-----------------S.DOMINGUEZ----------------OTAMENDI-------------
ZANETTI----------------------------------------------------HEINZE
-----------------------------MASCHERANO--------------------------
----M.RODRIGUEZ--------------------VERÓN----------------DÁTOLO---
-----------MESSI--------------------------------TEVEZ------------

FELIPE BIGLIAZZI

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TRINTÕES, 4 LÍDERES E UM TREMENDO ROLINHO

O futebol argentino viveu neste domingo um dia particular. As duas maiores torcidas do país festejaram graças a dois ídolos trintões. O Boca Juniors empatava com o Lanús em 1 a 1 – Caceres e Pelletieri haviam assinalado os gols da partida - quando Martín Palermo, aos 34 minutos do segundo tempo, conectou uma linda cabeçada, após escanteio, decretando a vitória xeneise, em pleno estádio Ciudad de Lanús. Detalhe que Palermo havia brigado com um punhado de torcedores boquenses no treino da última sexta-feira. O pequeno grupo cobrava o artilheiro, por haver manifestado publicamente o seu desejo de defender o Estudiantes – clube de onde surgiu – na disputa do mundial interclubes. Linda resposta de Palermo, que como sempre, cala seus críticos com gols decisivos. O River teve que agredecer e reverenciar, Ariel Ortega. Os millonários perdiam em casa para o Chacarita por 3 a 2, quando Ariel Ortega colocou um passe cirúrgico para que o juvenil Daniel Villalba empatasse o cotejo.O relógio marcava 41 minutos do segundo tempo e o empate parecia certo, até que reapareceu Ortega, que com um toque magistral encobriu o arqueiro funebrero, decretando a dramática vitória riverplatense: 4 a 3 histórico no Monumental e muito “Ortegaaa,ortegaaaaa” ecoando das arquibancadas.

Esta segunda rodada teve também o sempre quentíssimo clássico platense - uma pena que por motivos de segurança apenas a torcida pincharrata pode comparecer ao Estádio único de La Plata. E, foi justamente a torcida do tetracampeão da Libertadores que festejou: 3 a 0, com gols de Salgueiro, Boselli e Enzo Perez. O Estudiantes é um dos quatro times que venceram seus dois jogos no torneio Apertura, assim como o atual campeão argentino, o Vélez Sarsfield que venceu em seu campo ao Arsenal de Sarandí: 3 a 1, gols de Otamendi, Hernán Rodrigo Lopez e Maxi Moralez.Os dois grandes times de Rosário completam o seleto grupo dos 100%. O Newell’s venceu outra vez – como na primeira rodada frente ao Independiente - por 1 a 0, com gol de cabeça de Insaurralde, dessa feita frente ao Huracán no Parque Independência. Já o Rosario Central venceu de virada, e nos acréscimos, ao Tigre por 2 a 1, em Victória. Os gols canallas foram anotados por Zelaya e André Franzoia, o segundo anotado pelo ex-Huracán no último lance do jogo.

Antes de conferir os demais resultados, vejam o que aprontou Eduardo Salvio. O jovem talento do Lanús – convocado por Maradona para o jogo frente ao Brasil, no próximo sábado - meteu um rolinho espetacular – caño, como eles dizem na Argentina – pra cima de Gabriel Paletta, do Boca Juniors. Para ver e rever durante muito tempo. Eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=uR3ixvPW4FY

RESULTADOS DA SEGUNDA RODADA DO TORNEIO APERTURA
Tigre 1- 2 Rosario Central
Racing 1- 1 Colón
Vélez 3 - 1 Arsenal
Estudiantes 3 - 0 Gimnasia
Argentinos Jrs 1- 1 Banfield
Godoy Cruz 1- 1 San Lorenzo
River 4 -3 Chacarita
Atlético Tucumán 2- 4 Independiente

FELIPE BIGLIAZZI

terça-feira, 25 de agosto de 2009

MONOPÓLIO A PARTE

Mais importante do que a pelota rolando, o futebol argentino viveu neste final de semana uma nova era enquanto ás transmissões do esporte bretão. Após o imbróglio envolvendo clubes endividados, Associação do futebol argentino, jogadores credores e o canal a cabo que detinha os direitos de transmissão das partidas pelo sistema pay-per view, teve inicio o Torneio Apertura da Argentina. A solução para o problema descrito acima foi de romper o contrato com a Tyc Sports, antiga detentora dos direitos de transmissão, e assim o futebol argentino da primeira divisão passou, a partir deste torneio, a ser transmitido integralmente pelo canal público 7, onde as dez partidas de cada rodada serão televisionadas em sistema aberto e em horários distintos. Quem arcou com tudo isso foi o Governo federal, que passará a investir 600 milhões de pesos anuais com as transmissões de futebol no canal 7. A medida polêmica foi uma resposta ao Grupo Clarín - antigo detentor dos direitos- que travou uma dura perseguição ao governo Kircher, onde segundo cientistas políticos, acabou sendo decisivo para a derrota governista nas eleições legislativas, ocorrida no último mês de Junho.

Quem ganha com isso é o povo argentino, que poderá acompanhar o principal torneio de futebol do país na integra, sem precisar de Tv a cabo ou gastar importantes bagatelas ao consumir o sistema Pay-per View. Monopólios á parte, a primeira rodada do Torneio Apertura foi amarga para a maioria dos grandes clubes argentinos. A única torcida, dos denominados grandes, que pode festejar ,foi a do San Lorenzo de Almagro. O clube de Boedo bateu o recém-ascendido Atlético de Tucumán por 3 x 1, em pleno Nuevo Gasômetro. O River, que teve a reestréia dos eternos ídolos, Marcelo Gallardo e Ariel Ortega, foi derrotado pelo Banfield por 2 a 0, como visitante. Destaque para o ex-corinthiano, Santiago Silva, o popular El Tanque, que anotou um dos gols do taladro frente ao conjunto de Nuñez. O Boca amargou um empate em 2 a 2 com o Argentinos Juniors dentro de La Bombonera. Os dirigidos de Coco Basile iniciaram o jogo perdendo de 2 a 0, com terríveis distrações de seu miolo de zaga, formada por Caceres e Paletta, e apenas conseguiram a igualdade com a entrada de Guillermo Marino, que assinalou os dois gols xeneises.

Os dois grandes clubes de Avellaneda seguem na mesma: perdendo. O Independiente recebeu o Newell’s Old Boys no estádio do Lanús – já que seu estádio, denominado Doble Visera, passa por eternas reformas – e acabou sendo derrotado por 1 a 0. O Racing foi a Rosário e acabou saindo de mãos abanando do Gigante de Arroyito. O golaço de Gervasio Nuñez de fora da área decretou a vitoria canalla no clássico das Academias argentinas. O atual campeão argentino foi a Santa Fé em trouxe uma valiosa vitoria. O gol solitário do Velez Sarsfield foi anotado por Jonathan Cristaldo. Já o Huracán, vice-lider do último torneio Clausura, foi derrotado em casa pelo Lanús por 2 a 1. Destaque para Eduardo Salvio, jovem promessa do futebol argentino que foi a estrela da rodada.Monopólio a parte, vuelve el fútbol, vuelve la pación...bienvenido sea.


Resultados
Gimnasia La Plata 0-2 Godoy Cruz
Independiente 0-1Newell`s
San Lorenzo3-1 Atlético Tucumán
Chacarita 1- 2 Tigre
Arsenal 0- 2 Estudiantes
Rosario Central 1- 0 Racing
Huracán 1 - 2 Lanús
Boca 2- 2 Argentinos
Banfield 2- 0 River
Colón 0- 1 Vélez

FELIPE BIGLIAZZI

quinta-feira, 16 de julho de 2009

LA PLATA TRÁS FELICIDADE

Quem disse que La Plata - giría para dinheiro na Argentina - não trás felicidade?.A capital da Província de Buenos Aires vive a semana mais feliz, em décadas, dentro do âmbito futebolístico. No último domingo o Gimnasia de La Plata escapou heróicamente do rebaixamento, ao vencer o Atlético de Rafaela no Reducido - espécie de repescagem. Com a vantagem desportiva - por ser o time da Primeira Divisão - o lobo platense foi a Rafaela e trouxe um trágico 3 a 0 na bagagem.No jogo de volta, em pleno Bosque de La Plata, o Gimnasia reverteu a vantagem, vencendo por 3 a 0, com dois gols nos últimos minutos, sendo que o terceiro nos acréscimos.

O primeiro tempo não teve grandes acontecimentos. O cenário parecia fadado ao fracasso, ainda mais depois que o time teve González e Sosa expulsos - o Atletico Rafaela perdeu Gil. Com nove contra dez, os jogadores do time de La Plata tiveram de ser, antes de tudo, torcedores. Só assim para captar o apoio incondicional vindo das arquibancadas. Aos 27min, Diego Alonso fez o primeiro e deu um fio de esperança ao time treinado pelo incansável Leonardo Madellón.

Aos 44 e aos 46min, dois lances idênticos definiram a sorte do Gimnasia no campeonato. Dois cruzamentos da esquerda, duas cabeçadas de Franco Neill, dois gols que mantiveram o time na elite e acabaram com o sonho do Atletico Rafaela. O estádio explodiu em alegria. Os jogadores, como forma de comemoração, imitaram a tradicional "Haka", dança que se tornou conhecida pelos jogadores de rúgbi da Nova Zelândia.

A alegria durou pouco para os sofridos torcedores do Gimnasia já que o seu maior rival teve a façanha de conquistar a Copa Libertadores em pleno Mineirão. Foi a consagração de uma base vitóriosa, que conquistou um heróico título argentino em 2006e um vice-campeonato da Sulamericana, em 2008. Mais do isso, consagrou Juan Sebastián Verón, que com seu enorme talento e notável sentimento pela camiseta pincharata, demonstrou que a alma amateur ainda segue viva em meio ao sem-graça futebol globalizado.

O Caminho do Estudiantes para Libertar a América foi o mais longo entre todos os anteriores campeões da principal competição interclubes da América Latina. O leão platense teve que disputar a pré-Libertadores, onde eliminou o Sporting Cristal do Perú. Estreou na competição perdendo em Lima por 2 a 1, e só classificou-se ao vencer em La Plata por 1 a 0, com gol salvador do centroavante juvenil, Ramón Lentini.Esta vitória o colocou no grupo 5, onde estrearia justamente contra o Cruzeiro. A derrota por 3 a 0 foi um duro golpe inicial. Na segunda partida vitória por 1 a 0 frente ao Universitário de Sucre. Em seguida a derrota frente ao Deportivo Quito colocou a vaga em risco. Era preciso vencer as duas seguintes partidas, e foi o que ocorreu: com duas goleadas por 4 a 0, devolveu com juros e correção monetária as derrotas para Cruzeiro e Deportivo Quito. Com o empate em zero frente ao Universitário de Sucre, garantiu o segundo lugar no grupo e a vaga para as oitavas de final.

O Libertad do Paraguai pintava como um duro rival, mas não foi o que aconteceu: Goleada em La Plata, 3 a 0 , com dois de Mauro Boselli e um de La gata Fernandez.Na volta um empate em zero em Assunção garantiu o Estudiantes nas quartas. Nesta altura os pinchas eram os únicos representantes da Argentina na Competição, já que o Boca Juniors teve o desgosto de ser eliminado pelo Defensor Sporting do Uruguai. Justamente o conjunto uruguaio foi o rival na fase seguinte, onde o Estudiantes obteve duas vitórias por 1 a 0 e carimbou o passaporte para as semifinais.

Outra vez um time uruguaio no caminho. Dessa feita toda a tradição do Nacional de Montevídeu. As lesões de Agustín Alayes e Marcos Angeleri, fizeram com que a diretoria do Estudiantes fosse atrás de um zagueiro. O escolhido foi Rolando Schiavi, devido a sua enorme experiência - havia chego a três finais de Libertadores, sendo que duas com o Boca Juniors e uma com o Grêmio. Com um gol de Diego Galván - meia-direita que perdeu a posição para Enzo Perez nas fases finais - venceu em La Plata. Na volta, em pleno Estádio Centenário, outra vitória, agora por 2 a 1, com dois gols de Mauro Boselli.

Na final um velho conhecido: o Cruzeiro. No jogo de ida em La Plata, um preocupante 0 a 0. E ontem, com enorme coragem e talento do maestro Verón, o Estudiantes levantou a sua quarta Libertadores. Desde 1996, quando o River Plate sagrou-se campeão, que um clube argentino fora o Boca Juniors, não levantava a Libertadores.

Mais do que nunca La Plata trouxe a felicidade...

Felipe Bigliazzi