quinta-feira, 30 de julho de 2015

UM RIVER A LO BOCA EM SOLOS MEXICANOS


Confesso que toda a indisposição matinal, a falta de humor, a prisão de ventre e as amarguras noturnas se originam pela cruel distancia entre Santo André e Mérida. Fotos 3X4, um bombom de cereja e a mecha derradeira de seus cabelos encaracolados são meras lembranças que hoje me servem pouco e nada. Mero detalhe, pois nesta quarta teria início a final da Libertadores, justamente em solo azteca, no dia em que me sentia dentro das mais tolas tramas da Televisa. Eis que por esses regulamentos pífios, no melhor estilo Conmebol de ser, um quadro mexicano, pela terceira vez na história, era obrigado a começar a série final em seu campo e contra toda tradição, ímpeto e bastidor favorável ao rival sudaca. Olho no mapa e vejo que entre Mérida e Monterrey existe um enorme horizonte que cruza o Golfo do México de sul à norte. Não é um mero detalhe, ainda havia sol, fato raro em Libertadores, historicamente noturna e gelada nas finais de Julho. Pelo skype Karla me diz que faz um calor infernal e que as paletas não devem ser mexicanas, pois habitam apenas os shoppings tupiniquins. 

Dor de cotovelo à parte, desligo o som de Odair José https://www.youtube.com/watch?v=W4Dr5KPuC2Y para acompanhar Tigres e River. Sim, apesar do bairrismo que insiste em desdenhar na Libertadores quando não há um grande da cidade em disputa - no mesmo horário jogavam Atlético Mineiro x São Paulo e Corinthians x Vasco - era noite de final de Libertadores e sagrado por si só em nosso imaginário, o cotejo copero começou com o River travando o meio-campo no 4-4-2 em linha. Gallardo sabe do que se trata. Hei de recordar que o glorioso Muñeco aprecia e defende o jogo ofensivo, o toque de bola que caracteriza a escola millonaria desde de tempos idos. Contudo, na atual edição da Libertadores, quando foi preciso ir para o combate, não exitou em armar duas linhas de quatro, botar a armada charrua e posiocionar Ponzio e Kranevitter como doble 5 para morder. 

Um River uruguaio, com Carlos Sanchez e Tabaré Viudez combatendo as subidas de Torres Nilo e Jimenez. Mora, o artilheiro do time, também adepto do mate, do candombe e do huevo oriental, ficava inócuo ao lado do pibe Alario, assistindo um perde e ganha danado no meio campo. O Tigres de Tuca Ferretti tinha a posse, também o território que era ocupado com o passar do tempo. A pressão riverplatense durou pouco, meros 10 ou 15 minutos. Arevalo Rios se desprendia como elemento surpresa ao lado de Rafael Sobis, transformando o 4-2-3-1 em um 4-1-4-1 bem claro. Guido Pizarro tinha total liberdade para armar o time como volante central, distribuindo e abrindo o corredor dos laterais. Damian Alvarez, criado em Nuñez, começava na ponta esquerda no lugar do excelente Javier Aquino, algoz colorado, dando calor em Gabriel Mercado. O lateral do River que tem a chave do vestiário, tomou o segundo amarelo, perdendo assim a decisão no Monumental. Um primeiro tempo travado, com Sobis controlado por Kranevitter. Gignac sentiu o peso do jogo bruto sudaca na disputa ingrata contra Maidana e Funes Mori. Jurgen Damm contra Vangioni era o único a levar vantagem. O gol quase surgiu por ali. A primeira pegou no travessão, naquela que foi a melhor jogada em um primeiro tempo faltoso, fiel ao que propunha os millonarios.


Viudez e Mora sentiram uma contusão. Gallardo não hesitou em armar um 4-4-1-1 bem claro, com os ingressos de Pity Martinez para conter Pizarro, além de Nicolás Bertolo que entrou na mesma função de Viudez, pelo flanco esquerdo da segunda linha do meio campo. O pibe Alario ficava isolado entre Rivas e Juninho como coadjuvante em Monterrey. Ferreti ainda jogou seu time de vez com a entra de Jesus Dueñas no lugar de Arevalo. O River foi pressionado. Soube sofrer. Ponzio, um monstro para travar os rivais, passou do ponto e quase viu o segundo amarelo em entrada forte em Rafael Sobis. Gallardo também perderá a final, foi expulso após reclamação. O paraguaio Arias, no melhor estilo brasileiro de apitar, não hesitou em mandar o Napoleón para as tribunas. Lucho Gonzalez fechou o meio campo ao lado de Kranevitter, o novo do jogo pelo lado de La banda roja. Damm teve a melhor chance do jogo, ao driblar Barovero e titubear na definição. Por fim, o River leva a decisão para Buenos Aires com o resultado que queria. Um River de huevo, nada gallina e pronto para ser tricampeão das Américas. https://www.youtube.com/watch?v=kndJ4nd_ieI

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