Na América latina o provérbio popular que diz que viejo son los trapos. Nesta tarde de superclássico argentino, o Monumental de Nuñez foi palco da confirmação de que os ditos populares devem ser levados a sério. Martín Palermo e Marcelo Gallardo, que já haviam anotado os gols no último superclássico válido pelo Torneio Clausura, explicarão o porquê.
O jogo começou sob a feição do River Plate. Leo Astrada, que durante a semana fez mistério enquanto a formação ofensiva do conjunto millonario, apostou pelo tridente Gallardo, Ortega e Buonanotte - e como veremos adiante, obteve muito êxito na sua escolha. Matias Almeyda tinha a incomoda missão de acompanhar a Juan Román Riquelme e, tirando o lance do gol xeneise, a cumpriu da melhor maneira.Pelos lados do campo, Nico Domingo e Ferrari venciam seus duelos com Insua e Monzon. Pelo lado esquerdo, Villagra e Abelairas, com o auxilio do serelepe Buonanotte, tomavam conta de Battaglia e Ibarra. Assim, o River era o dono do meio campo e começava a lastimar a meta xeneise,entre outras coisas, graças ao talento de Gallardo, que levou Rosada para passear durante a primeira parte do jogo.Palermo e Gaitán eram meros espectadores do jogo. Com um Riquelme desarticulad0 - pelo ótimo trabalho de Almeyda - além da derrota parcial nos duelos entre laterais e meias, os dirigidos de Coco Basile, não tinham a bola, e quando a possuíam, tratavam- a mal. O que sintetiza o primeiro tempo de Boca são as escassas oportunidades criadas pela equipe. A primeira chance veio através de um chute sem perigo de Rosada, aos 15 minutos. A segunda -e última - surgiu de um arremate sem convicção de Battaglia nos acréscimos da primeira etapa. Muito pouco para o elenco mais caro da Argentina.
O River já havia ameaçado aos 6 minutos, quando Buonanotte achou Nico Domingo,entre a última linha do Boca. O meia direita bateu rente ao poste direito defendido por Pato Abbondanzieri. Foi o aviso do que viria 17 minutos depois. Após um passe cirúrgico de Ortega, Buonanotte ajeitou a redonda com o braço, entrou na área e foi atropelado por Monzón. Saul Laverni, equivocadamente, apontou a marca de cal: penalti para o River. Ortega telegrafou a batida, e Abbondanzieri defendeu. Os torcedores millonario já deviam estar pensando que assim como em outros superclássicos desta década, os deuses do futebol estavam vestido de azul e amarelo. Mas Gallardo mostrou que não era bem assim. Após falta recebida por Buonanotte na entrada da área, el muñeco encontrou o ângulo direito de Abbondanzieri para anotar o gol da justiça: 1 a 0.
Os donos da casa seguiam impondo o seu jogo. Aos 35 minutos, Matias Abelairas passou como um raio pelas costas de Ibarra, arrematando para a firme defesa de Pato Abbondanzieri. O intervalo tinha sabor amargo para o River, que apesar do amplio domínio, chegava ao vestiário somente com a mínima vantagem no placar.
Para o segundo tempo, Ibarra, que vinha de uma lesão no tornozelo, foi substituído por Gary Medel. Se a alegria de pobre dura pouco, o que dizer da alegria millonaria. A segunda etapa chegava a seu segundo minuto quando Villagra tolamente matou um contra-ataque derrubando Battaglia e vendo o seu segundo cartão amarelo. Era o começo do fim para o River Plate. Abelairas foi para a lateral-esquerda, e neste setor começou a brilhar o futebol de Nico Gaitán. Nem mesmo a expulsão de Julio Caceres – que devolveu uma gentileza de Ortega, este que assim como na Copa de 98, tirou nota 10 no quesito cênico – foi capaz de deter o iminente domínio boquense.
Coco Basile inteligentemente postou sua defesa com uma linha três zagueiros: Medel, pela direita, Monzón pela esquerda e Paletta na sobra. Rosada se postou como único volante, ao passo que Battaglia se posicionou pela meia-direita.Pocho Insua deixou o campo para a entrada de Pochi Chaves. O jovem meia boquense atuou pelo lado esquerdo do ataque. Gaitán seguia fazendo estragos pelo lado esquerdo, tanto que aos 7 minutos fez fila na defesa do River, chutando para firme defesa de Daniel Vega. Astutamente, Leo Astrada sacou a Gallardo, deixando Coronel como lateral-esquerdo com a missão de parar Gaitán.
O Boca rodava a bola, ganhando o meio-campo com um Riquelme mais ativo que o habitual. O próprio Román quase anotou o gol de empate com um arremate que passou perto do gol millonario. Nem mesmo Coronel foi capaz de deter Gaitán. Ortega, de péssimo segundo tempo, perdeu a bola em seu campo, armando o contra-ataque do Boca. Gaitán rolou na área, Riquelme com um toque genial de calcanhar, serviu Palermo. O centroavante muitas vezes criticado por seu jogo, mostrou todo seu repertório ao anotar o empate em chute com sua perna menos hábil: 1 a 1 e festa dos quase quatro mil hinchas xeneises que foram ao Monumental.
Apesar da clara superioridade boquense no segundo tempo, foi o River Plate quem teve a última chance de vencer o superclássico. Monzón, de péssima partida, perdeu o tempo de bola, assim Buonanotte arrancou pela direita, deixou Paletta e Rosada na saudade, rolando limpa para que Abelairas se consagrasse. No entanto, o meia-esquerda chutou mascado. A bola beijou a trave de Abbondanzieri, que com a imagem da Virgen de Luján em mãos, apenas rezou para que o empate continuasse. Para sorte do arqueiro xeneise, a padroeira da Argentina o atendeu e foi o fim do superclássico.
Em um jogo marcado pelas características contemporâneas: aplicação tática, disposição física e pouca magia, os craques, que carregam uma década de superclássicos nos hombros, definiram a sorte do jogo mostrando que velhos são mesmo os trapos.
Felipe Bigliazzi
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
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