quinta-feira, 16 de julho de 2009

LA PLATA TRÁS FELICIDADE

Quem disse que La Plata - giría para dinheiro na Argentina - não trás felicidade?.A capital da Província de Buenos Aires vive a semana mais feliz, em décadas, dentro do âmbito futebolístico. No último domingo o Gimnasia de La Plata escapou heróicamente do rebaixamento, ao vencer o Atlético de Rafaela no Reducido - espécie de repescagem. Com a vantagem desportiva - por ser o time da Primeira Divisão - o lobo platense foi a Rafaela e trouxe um trágico 3 a 0 na bagagem.No jogo de volta, em pleno Bosque de La Plata, o Gimnasia reverteu a vantagem, vencendo por 3 a 0, com dois gols nos últimos minutos, sendo que o terceiro nos acréscimos.

O primeiro tempo não teve grandes acontecimentos. O cenário parecia fadado ao fracasso, ainda mais depois que o time teve González e Sosa expulsos - o Atletico Rafaela perdeu Gil. Com nove contra dez, os jogadores do time de La Plata tiveram de ser, antes de tudo, torcedores. Só assim para captar o apoio incondicional vindo das arquibancadas. Aos 27min, Diego Alonso fez o primeiro e deu um fio de esperança ao time treinado pelo incansável Leonardo Madellón.

Aos 44 e aos 46min, dois lances idênticos definiram a sorte do Gimnasia no campeonato. Dois cruzamentos da esquerda, duas cabeçadas de Franco Neill, dois gols que mantiveram o time na elite e acabaram com o sonho do Atletico Rafaela. O estádio explodiu em alegria. Os jogadores, como forma de comemoração, imitaram a tradicional "Haka", dança que se tornou conhecida pelos jogadores de rúgbi da Nova Zelândia.

A alegria durou pouco para os sofridos torcedores do Gimnasia já que o seu maior rival teve a façanha de conquistar a Copa Libertadores em pleno Mineirão. Foi a consagração de uma base vitóriosa, que conquistou um heróico título argentino em 2006e um vice-campeonato da Sulamericana, em 2008. Mais do isso, consagrou Juan Sebastián Verón, que com seu enorme talento e notável sentimento pela camiseta pincharata, demonstrou que a alma amateur ainda segue viva em meio ao sem-graça futebol globalizado.

O Caminho do Estudiantes para Libertar a América foi o mais longo entre todos os anteriores campeões da principal competição interclubes da América Latina. O leão platense teve que disputar a pré-Libertadores, onde eliminou o Sporting Cristal do Perú. Estreou na competição perdendo em Lima por 2 a 1, e só classificou-se ao vencer em La Plata por 1 a 0, com gol salvador do centroavante juvenil, Ramón Lentini.Esta vitória o colocou no grupo 5, onde estrearia justamente contra o Cruzeiro. A derrota por 3 a 0 foi um duro golpe inicial. Na segunda partida vitória por 1 a 0 frente ao Universitário de Sucre. Em seguida a derrota frente ao Deportivo Quito colocou a vaga em risco. Era preciso vencer as duas seguintes partidas, e foi o que ocorreu: com duas goleadas por 4 a 0, devolveu com juros e correção monetária as derrotas para Cruzeiro e Deportivo Quito. Com o empate em zero frente ao Universitário de Sucre, garantiu o segundo lugar no grupo e a vaga para as oitavas de final.

O Libertad do Paraguai pintava como um duro rival, mas não foi o que aconteceu: Goleada em La Plata, 3 a 0 , com dois de Mauro Boselli e um de La gata Fernandez.Na volta um empate em zero em Assunção garantiu o Estudiantes nas quartas. Nesta altura os pinchas eram os únicos representantes da Argentina na Competição, já que o Boca Juniors teve o desgosto de ser eliminado pelo Defensor Sporting do Uruguai. Justamente o conjunto uruguaio foi o rival na fase seguinte, onde o Estudiantes obteve duas vitórias por 1 a 0 e carimbou o passaporte para as semifinais.

Outra vez um time uruguaio no caminho. Dessa feita toda a tradição do Nacional de Montevídeu. As lesões de Agustín Alayes e Marcos Angeleri, fizeram com que a diretoria do Estudiantes fosse atrás de um zagueiro. O escolhido foi Rolando Schiavi, devido a sua enorme experiência - havia chego a três finais de Libertadores, sendo que duas com o Boca Juniors e uma com o Grêmio. Com um gol de Diego Galván - meia-direita que perdeu a posição para Enzo Perez nas fases finais - venceu em La Plata. Na volta, em pleno Estádio Centenário, outra vitória, agora por 2 a 1, com dois gols de Mauro Boselli.

Na final um velho conhecido: o Cruzeiro. No jogo de ida em La Plata, um preocupante 0 a 0. E ontem, com enorme coragem e talento do maestro Verón, o Estudiantes levantou a sua quarta Libertadores. Desde 1996, quando o River Plate sagrou-se campeão, que um clube argentino fora o Boca Juniors, não levantava a Libertadores.

Mais do que nunca La Plata trouxe a felicidade...

Felipe Bigliazzi

Um comentário:

Ale Bigliazzi disse...

nao me faça te pegar nojo