segunda-feira, 16 de março de 2009

VITÓRIA SOFRIDA E UMA AULA SOBRE COMO TORCER, AMAR UM TIME DE FUTEBOL

TEXTO DE MAURO CESAR PEREIRA, PUBLICADO EM SEU BLOG: http://blogs.espn.com.br/maurocezarpereira

A internet nos permite experiências há algum tempo inimagináveis. Na noite de domingo eu torci. Torci de verdade diante do computador. Torci pelo meu time argentino, o Racing Club de Avellaneda, que mais uma vez luta desesperadamente contra o rebaixamento.
Sempre gostei do futebol dos hermanos e em 1992 percebi que tinha uma camisa por lá: a do Racing, dono de uma história bonita e já naquela época vivendo um presente de sofrimento para uma torcida fanática, sem igual.
E foram os hinchas de La Academia que me convenceram a aderir à legião dos que seguem ao lado do primeiro argentino campeão mundial. Naquele ano, o clube cujas cores são as mesmas do país eliminou o Flamengo nas semifinais da Supercopa — empate em 3 a 3 no Pacaembu, onde os rubro-negros mandaram a partida de ida devido à interdição do Maracanã — e vitória por 1 a 0 no lendário Cilindro de Avellaneda.

Na decisão, o Cruzeiro de Renato Gaúcho massacrou o Racing em Belo Horizonte: 4 a 0. O jogo de volta perdera a graça, pensei, ainda não convertido um racinguista. Nada disso. A hinchada argentina compareceu em peso ao estádio e incentivou seus jogadores intensamente para arrancar a vitória pelo placar mínimo. Questão de honra, orgulho, nada mais.
Na TV Bandeirantes, Luciano do Valle se espantou ante a manifestação de paixão que presenciava, afinal, eram necessários quatro ou mais gols! E o jogo seguia 0 a 0. "Os torcedores não param de cantar, parece que eles querem nos dizer 'Nós somos o Racing!'", resumiu, com sensibilidade e perfeição, o experiente narrador.

Era uma aula sobre como torcer, como amar um time de futebol. Deu vontade de estar lá, no meio daquela gente. Neste domingo, pela internet, pude ver a vitória arrancada a fórceps sobre o Godoy Cruz, rival direto na luta contra a queda para a segundona. Nosso time é jovem, desesperado, e o jogo foi de um sofrimento interminável.
Mas os hinchas não se calaram. Na segunda metade da etapa final, diante dos erros de passes e várias chances perdidas, não vaiaram, como fazem as torcidas brasileiras em geral. Eles elevaram o tom, gritaram ainda mais alto e empurram a equipe para a vitória.

Franco Sosa cruzou e Pablo Caballero, 1,91 metro de altura, cabeceou para as redes a 15 minutos do final, levando alívio à gente do Racing. O jovem atacante perdera chance parecida dois minutos antes na bola elevada por Lugüercio.
E ainda teve mais drama. Inevitável lembrar os dois pontos perdidos 17 dias antes, quando o Argentinos Juniors empatou nos acréscimos. Mas desta vez o final foi feliz.
O time ainda está na "zona de Promoción", ou seja, na área do rebaixamento à “Primera B”. Mas respira melhor. Após o jogo, Lucas Castroman, ex-Boca Juniors, que foi substituído pelo herói da noite, agradeceu a paciência da torcida.
E eu, que estive naquela cancha em 2007, decidi que, ainda neste ano, terei que dar um jeito de reaparecer por lá. Aguante La Academia!

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