Passado, exatos sete dias de minha estada em Santiago, vem um conhecido amigo e me aconselha: “Escreva sobre suas experiências futebolísticas na capital chilena”. Nada que eu não tenha pensado, no entanto hei de confessar: Visto a carapuça, quando dizem que o brasileiro é um feriado ambulante. Sendo assim e assim sendo, vamos ao que interessa: as mulheres chilenas.
Não que todas as chilenas sejam de se jogar fora, mas essa viagem me fez meditar e agradecer por ser brasileiro. Em Santiago é mais comum do que azeitonas chilenas, ver moças de traços incas com as ancas largas. Não digo como adjetivo usado para designar as moças de Copacabana, pois ancas largas em corpo miúdo(as chilenas possuem traços incas e baixa estatura) é de amargar. No entanto, passadas as minhas primeiras impressões da cidade, me interei sobre o cotejo entre a Universidad Católica e o Internacional de Porto Alegre, válido pelas oitavas de final da Copa Nissan Sulamericana. Descobri que o Estádio ficava num bairro nobre, conhecido como San Carlos de Apoquindo, dentro da Comuna de
Las Condes. Para a minha infelicidade não havia ônibus que me acercasse ao local, ainda mais para o horário da partida, 21h10.Não me sobrava outra opção, paguei uma razoável bagatela e tomei um táxi. A chegada ao estádio foi tranqüila, entrei no campus da Universidad Católica e logo avistei o estádio. O preço do ingresso é equivalente ao parâmetro tupiniquim: 4.500 pesos chilenos a popular(Arquibanda), o equivalente a 18 reais. Me posicionei atrás de um dos gols, justo onde fica a barra brava da Católica, conhecida como Los Cruzados. A torcida é a terceira da cidade, atrás do Colo-Colo e da Universidad do Chile, respectivamente, em popularidade.
Comprei um mani(amendoim) e fiquei apreciando os cantos dos Cruzados. Já tinha conhecimento da influência argentina nas torcidas chilenas, e como pude perceber, os ritmos são idênticos aos vistos em Buenos Aires.Bumbos gigantes marcam os temas. Os chefes como na Argentina, ficam de pé nos “paravalanchas” comandando a festa. Eis os primeiros cantinhos: “Borombom Borombom, el que no salta es brasileiro y maricón”, “Que se paren los Cruzados, Chi-chi-chi, le le le, Universidad Católica de Chile”. Para Clemer que fazia aquecimento, homenagens: “Que lo vengan a ver, eso no es um arquero, es una puta de cabaret”.
Jovens garotas de ancas largas na arquibancada, davam o ar de sua graça(surpreendente presença feminina) e logo pude sentir o odor característico dos estádios sulamericanos: O bom e velho aroma jamaicano, invadia as minhas narinas, e a cabeça dos jovens torcedores da Católica.Para tristeza dos seguidores de Pinochet, é impressionante a popularidade do “cigarrinho de artista” nos estádios chilenos.
O recebimento ao time é ótimo. Bobinas de calculadoras, voando aos borbotões para o campo de jogo. Jovens torcedores, trepados ao alambrado cantavam com sinalizadores na mão, dando um clima excelente para a peleja. O acanhado estádio de San Carlos de Apoquindo, lembra a Fazendinha. Tem capacidade para 20.000 pessoas e fica a poucos metros da Cordilheira dos Andes. No final do jogo, os quase 15.000 torcedores que foram ao jogo puderam sentir a mudança de tempo. O frio e a neblina que vinham da cordilheira se faziam sentir, e com pouca blusa e pobre nível futebolístico, só me restou torcer para que o jogo acabasse logo para retornar ao hotel. O encontro terminou em 1x1, para a decepção dos Cruzados, que amargaram a eminente eliminação, que logo se consumaria em uma semana no Estádio do Beira Rio.
Viña Del Mar, Valparaíso, Valle Nevado e Vinicola Concha y Toro foram os meus seguintes destinos no Chile. Pude perceber a simpatia contida(bem mais fechados que brasileiros e argentinos) do povo chileno e o conhecimento político e cultural que quase todos possuem. A cerveja, assim como as mulheres, me fizeram agradecer por ser brasileiro. Cristal, Escudo e Austral são as mais conhecidas entre as nacionais, a última a mais forte e saborosa.Uma dica do Flaco aos turistas: melhor insistir no vinho.
A onda entre a molecada chilena é o reggaetón. Estilo de música que mescla reggae, rap e ritmo caribenhos. As letras e a dança que possuem cunho sexual, dão um ar de funk carioca aos bailes de Santiago..A enjoativa batida e as vozes irritantes(latinos imitando rapper em espanhol) fazem com que suas cançoes se tornem frenéticamente inconfundiveis. A perceptível influência estadonidense não fica apenas no gosto musical. As vestimentas dos jovens, lembram os rappers americanos: bermudões, bonés de beisebol e correntes do Bronx são mais que comuns. O cabelo da rapaziada é inspirado no estilo argentino: muito mullets e cortes repicados.
Visitando o Palácio da Moneda, a Plaza de Armas e principalmente a casa de Pablo Neruda, me pus a pensar: O melhor ainda está por vir. E de fato estava.
Domingo, sai do hotel por volta das 4 e meia, com um destino em mente: O Estádio Nacional.
Confesso que aquele discurso chileno: “Somos o unico país sulamericano que deu certo”, já estava causando uma pequena antipátia. Realmente, senti pouca latinidade em Santiago. A prova tinha que ser tirada neste que era o meu ultimo dia de viagen.Eis que saco a mais verdadeira conclusão: Não há lugar melhor para conhecer as entranhas de um povo latino do que num estádio de futebol.
Tomei um ônibus e para minha surpresa não precisei desenbonsar nenhum misero peso chileno para chegar a estação de Metro, conhecida como Escuela Militar. Paguei 380 pesos chilenos e desci as modernas instalações do subterraneo de Santiago. Logo na plataforma, um mar de hinchas da “U”, já faziam algazarra. Não foi preciso mais do que 5 minutos para sentir a diferença entre as torcidas da U do Chile e da U.Catolica. A fanfarra, diferentemente de quinta, era geral.
Após 15 minutos de recorrido, chegamos a estação de Ñuble. Caminhei cinco longas quadras, em meio a uma fantasma avenida. Logo, me deparo com o antigo, e não menos encantador Estádio Nacional. Muitas imagens a cabeça: Os gols de Vavá, Amarildo e Garrincha em 1962, até a mais doce derrota da historia do São Paulo F.C(derrota por 2x0 para a Universidad Catolica, que deu aos comandados de Telê, o bicampeonato da Libertadores em 1993). Enfrente a bilheteria, tive outra resposta quanto a tal “não latinidade de Santiago”: Me deparei com os conhecimos pedintes de porta de estádio.Em vez do famoso: “Me vê um real...”, escutei: “Una monedita para alentar al León”. Juro que fiquei satisfeito com a latinidade do pedido, e logo contribui com o supliciante torcedor.O ingresso custou 5.000 pesos chilenos, o equivalente a 20 reais
A Univeridad de Chile tem o apelido de León(mascote), Los azules(obviamente, suas cores) e los bullangueros. A sua barrabrava é conhecida como Los de Abajo.E como o nome já diz, seus membros se colocam na parte inferior da arquibancada. Este setor é carinhosamente conhecido como Galeria Popular. A banda do Los de Abajo é formada por inumeros cabeludos com oculos escuros. O ritmo é marcado por imensos bumbos. As cançoes se repetem pouco, e a influencia das barrabravas argentinas é nitida. Eis que surgem os primeiros cantinhos da tarde: “Vamo bulla, hoy te venimos a ver/soy de abajo no podemos perder/te llevamos dentro del corazón/este año te queremos ver campéon”. “Vamos,vamo leones,vamo leones, salgam campeones/yo al bulla lo quiero,lo llevo adentro del corazón”.
A partipação dos demais torcedores da “U” é destacavel,acompanham a barrabrava a todo instante nos cantinhos. Aproximadamente 20.000 pessoas foram ao Estádio Nacional para apoiar ao conjunto bulla. A torcida visitante veio, segundo o instituto Dataflaco, com não mais de 200 torcedores desde Antofagasta. Muitas faixas e três bandeirões davam o colorido. O mais curioso era um bandeirão contendo o glorioso Homer Simpsom, desenhado com a camisa da U enforcando o seu filho colocolino, o não menos famoso, Bart Simpsom.
Papel picado, confetes e bobinas de calculadoras davam inicio ao excelente recebimento na entrada do time. Cantinho especial para o Matador Salas, que completava neste dia, 200 partidas com a camisa da Universidad do Chile. Eis a homenagem: “Campeón en Argentina, Campeon en Europa, el mas grande goleador tambien de la Roja, Matador matador, el mas grande goleador”.
No domingo seguinte se jogaria o superclássico chileno entre Colo-Colo e Universidad de Chile. A torcida já preparava o clima com cantinhos agressivos aos caciques: “ El bulla va caminando para Pedreiros(bairro do Colo-Colo), El índio píde custodia porque es cagón,vamos a romper los baños y El alambrado(AL índio culiao) para ver cual hinchada es La mejor(La Del león)/oh oh oh oh porque El bulla es un sentimiento, oh oh oh oh a balazos se van a tirar/Porque soy de abajo y tenemos aguante, a este índio hueco lo vamos a reventar/somos de La brava, siempre te acompaño y a ese índio hueco lo vamos a reventar”.
Do aspecto técnico, não há muito para destacar. Pude ver o bom volante Astrada, que também atua pela seleção de Marcelo Bielsa e a veteraníssima dupla de ataque, formada pelo argentino Raúl “El Pipa” Estevez e Marcelo Salas. A Universidad venceu o Antofagasta por 3x0. A figura do jogo foi Rául Estevez, que além de anotar os dois primeiros gols do encontro, ainda teve tempo de fazer lindas jogadas, como no passe que resultou no terceiro gol. Talvez, este fato, de um veterano jogador argentino ser a figura de um dos principais times do futebol chileno, mostre o pobre momento do campeonato mais importante desse país.
Para a minha surpresa, ainda passei por uma revista policial dos Carabineros chilenos na entrada da estação de Ñubel do metro.Para minha felicidade, não passei por nenhuma restrição por parte dos mal-encarados policiais.Já nos vagões, ainda pude conferir mais fanfarras dos rapazes do Los de Abajo, esses que seguiam cantando em referencia ao esperado clássico contra o Colo-Colo: “Que domingo al índio hay que culiar”. Saí do Estádio Nacional com o sentimento de dever futebolístico cumprido. Pude conhecer a cultura geral de mais um país sulamericano e compreender sua relação com o esporte bretão. E de tudo isso, o que pude tirar de conclusão, é o seguinte: Enquanto houver um estádio de futebol e moças de ancas largas, nunca deixaremos de ser latinos. E tenho dito...
FLACO BIGLIAZZI
Não que todas as chilenas sejam de se jogar fora, mas essa viagem me fez meditar e agradecer por ser brasileiro. Em Santiago é mais comum do que azeitonas chilenas, ver moças de traços incas com as ancas largas. Não digo como adjetivo usado para designar as moças de Copacabana, pois ancas largas em corpo miúdo(as chilenas possuem traços incas e baixa estatura) é de amargar. No entanto, passadas as minhas primeiras impressões da cidade, me interei sobre o cotejo entre a Universidad Católica e o Internacional de Porto Alegre, válido pelas oitavas de final da Copa Nissan Sulamericana. Descobri que o Estádio ficava num bairro nobre, conhecido como San Carlos de Apoquindo, dentro da Comuna de
Las Condes. Para a minha infelicidade não havia ônibus que me acercasse ao local, ainda mais para o horário da partida, 21h10.Não me sobrava outra opção, paguei uma razoável bagatela e tomei um táxi. A chegada ao estádio foi tranqüila, entrei no campus da Universidad Católica e logo avistei o estádio. O preço do ingresso é equivalente ao parâmetro tupiniquim: 4.500 pesos chilenos a popular(Arquibanda), o equivalente a 18 reais. Me posicionei atrás de um dos gols, justo onde fica a barra brava da Católica, conhecida como Los Cruzados. A torcida é a terceira da cidade, atrás do Colo-Colo e da Universidad do Chile, respectivamente, em popularidade.
Comprei um mani(amendoim) e fiquei apreciando os cantos dos Cruzados. Já tinha conhecimento da influência argentina nas torcidas chilenas, e como pude perceber, os ritmos são idênticos aos vistos em Buenos Aires.Bumbos gigantes marcam os temas. Os chefes como na Argentina, ficam de pé nos “paravalanchas” comandando a festa. Eis os primeiros cantinhos: “Borombom Borombom, el que no salta es brasileiro y maricón”, “Que se paren los Cruzados, Chi-chi-chi, le le le, Universidad Católica de Chile”. Para Clemer que fazia aquecimento, homenagens: “Que lo vengan a ver, eso no es um arquero, es una puta de cabaret”.
Jovens garotas de ancas largas na arquibancada, davam o ar de sua graça(surpreendente presença feminina) e logo pude sentir o odor característico dos estádios sulamericanos: O bom e velho aroma jamaicano, invadia as minhas narinas, e a cabeça dos jovens torcedores da Católica.Para tristeza dos seguidores de Pinochet, é impressionante a popularidade do “cigarrinho de artista” nos estádios chilenos.
O recebimento ao time é ótimo. Bobinas de calculadoras, voando aos borbotões para o campo de jogo. Jovens torcedores, trepados ao alambrado cantavam com sinalizadores na mão, dando um clima excelente para a peleja. O acanhado estádio de San Carlos de Apoquindo, lembra a Fazendinha. Tem capacidade para 20.000 pessoas e fica a poucos metros da Cordilheira dos Andes. No final do jogo, os quase 15.000 torcedores que foram ao jogo puderam sentir a mudança de tempo. O frio e a neblina que vinham da cordilheira se faziam sentir, e com pouca blusa e pobre nível futebolístico, só me restou torcer para que o jogo acabasse logo para retornar ao hotel. O encontro terminou em 1x1, para a decepção dos Cruzados, que amargaram a eminente eliminação, que logo se consumaria em uma semana no Estádio do Beira Rio.
Viña Del Mar, Valparaíso, Valle Nevado e Vinicola Concha y Toro foram os meus seguintes destinos no Chile. Pude perceber a simpatia contida(bem mais fechados que brasileiros e argentinos) do povo chileno e o conhecimento político e cultural que quase todos possuem. A cerveja, assim como as mulheres, me fizeram agradecer por ser brasileiro. Cristal, Escudo e Austral são as mais conhecidas entre as nacionais, a última a mais forte e saborosa.Uma dica do Flaco aos turistas: melhor insistir no vinho.
A onda entre a molecada chilena é o reggaetón. Estilo de música que mescla reggae, rap e ritmo caribenhos. As letras e a dança que possuem cunho sexual, dão um ar de funk carioca aos bailes de Santiago..A enjoativa batida e as vozes irritantes(latinos imitando rapper em espanhol) fazem com que suas cançoes se tornem frenéticamente inconfundiveis. A perceptível influência estadonidense não fica apenas no gosto musical. As vestimentas dos jovens, lembram os rappers americanos: bermudões, bonés de beisebol e correntes do Bronx são mais que comuns. O cabelo da rapaziada é inspirado no estilo argentino: muito mullets e cortes repicados.
Visitando o Palácio da Moneda, a Plaza de Armas e principalmente a casa de Pablo Neruda, me pus a pensar: O melhor ainda está por vir. E de fato estava.
Domingo, sai do hotel por volta das 4 e meia, com um destino em mente: O Estádio Nacional.
Confesso que aquele discurso chileno: “Somos o unico país sulamericano que deu certo”, já estava causando uma pequena antipátia. Realmente, senti pouca latinidade em Santiago. A prova tinha que ser tirada neste que era o meu ultimo dia de viagen.Eis que saco a mais verdadeira conclusão: Não há lugar melhor para conhecer as entranhas de um povo latino do que num estádio de futebol.
Tomei um ônibus e para minha surpresa não precisei desenbonsar nenhum misero peso chileno para chegar a estação de Metro, conhecida como Escuela Militar. Paguei 380 pesos chilenos e desci as modernas instalações do subterraneo de Santiago. Logo na plataforma, um mar de hinchas da “U”, já faziam algazarra. Não foi preciso mais do que 5 minutos para sentir a diferença entre as torcidas da U do Chile e da U.Catolica. A fanfarra, diferentemente de quinta, era geral.
Após 15 minutos de recorrido, chegamos a estação de Ñuble. Caminhei cinco longas quadras, em meio a uma fantasma avenida. Logo, me deparo com o antigo, e não menos encantador Estádio Nacional. Muitas imagens a cabeça: Os gols de Vavá, Amarildo e Garrincha em 1962, até a mais doce derrota da historia do São Paulo F.C(derrota por 2x0 para a Universidad Catolica, que deu aos comandados de Telê, o bicampeonato da Libertadores em 1993). Enfrente a bilheteria, tive outra resposta quanto a tal “não latinidade de Santiago”: Me deparei com os conhecimos pedintes de porta de estádio.Em vez do famoso: “Me vê um real...”, escutei: “Una monedita para alentar al León”. Juro que fiquei satisfeito com a latinidade do pedido, e logo contribui com o supliciante torcedor.O ingresso custou 5.000 pesos chilenos, o equivalente a 20 reais
A Univeridad de Chile tem o apelido de León(mascote), Los azules(obviamente, suas cores) e los bullangueros. A sua barrabrava é conhecida como Los de Abajo.E como o nome já diz, seus membros se colocam na parte inferior da arquibancada. Este setor é carinhosamente conhecido como Galeria Popular. A banda do Los de Abajo é formada por inumeros cabeludos com oculos escuros. O ritmo é marcado por imensos bumbos. As cançoes se repetem pouco, e a influencia das barrabravas argentinas é nitida. Eis que surgem os primeiros cantinhos da tarde: “Vamo bulla, hoy te venimos a ver/soy de abajo no podemos perder/te llevamos dentro del corazón/este año te queremos ver campéon”. “Vamos,vamo leones,vamo leones, salgam campeones/yo al bulla lo quiero,lo llevo adentro del corazón”.
A partipação dos demais torcedores da “U” é destacavel,acompanham a barrabrava a todo instante nos cantinhos. Aproximadamente 20.000 pessoas foram ao Estádio Nacional para apoiar ao conjunto bulla. A torcida visitante veio, segundo o instituto Dataflaco, com não mais de 200 torcedores desde Antofagasta. Muitas faixas e três bandeirões davam o colorido. O mais curioso era um bandeirão contendo o glorioso Homer Simpsom, desenhado com a camisa da U enforcando o seu filho colocolino, o não menos famoso, Bart Simpsom.
Papel picado, confetes e bobinas de calculadoras davam inicio ao excelente recebimento na entrada do time. Cantinho especial para o Matador Salas, que completava neste dia, 200 partidas com a camisa da Universidad do Chile. Eis a homenagem: “Campeón en Argentina, Campeon en Europa, el mas grande goleador tambien de la Roja, Matador matador, el mas grande goleador”.
No domingo seguinte se jogaria o superclássico chileno entre Colo-Colo e Universidad de Chile. A torcida já preparava o clima com cantinhos agressivos aos caciques: “ El bulla va caminando para Pedreiros(bairro do Colo-Colo), El índio píde custodia porque es cagón,vamos a romper los baños y El alambrado(AL índio culiao) para ver cual hinchada es La mejor(La Del león)/oh oh oh oh porque El bulla es un sentimiento, oh oh oh oh a balazos se van a tirar/Porque soy de abajo y tenemos aguante, a este índio hueco lo vamos a reventar/somos de La brava, siempre te acompaño y a ese índio hueco lo vamos a reventar”.
Do aspecto técnico, não há muito para destacar. Pude ver o bom volante Astrada, que também atua pela seleção de Marcelo Bielsa e a veteraníssima dupla de ataque, formada pelo argentino Raúl “El Pipa” Estevez e Marcelo Salas. A Universidad venceu o Antofagasta por 3x0. A figura do jogo foi Rául Estevez, que além de anotar os dois primeiros gols do encontro, ainda teve tempo de fazer lindas jogadas, como no passe que resultou no terceiro gol. Talvez, este fato, de um veterano jogador argentino ser a figura de um dos principais times do futebol chileno, mostre o pobre momento do campeonato mais importante desse país.
Para a minha surpresa, ainda passei por uma revista policial dos Carabineros chilenos na entrada da estação de Ñubel do metro.Para minha felicidade, não passei por nenhuma restrição por parte dos mal-encarados policiais.Já nos vagões, ainda pude conferir mais fanfarras dos rapazes do Los de Abajo, esses que seguiam cantando em referencia ao esperado clássico contra o Colo-Colo: “Que domingo al índio hay que culiar”. Saí do Estádio Nacional com o sentimento de dever futebolístico cumprido. Pude conhecer a cultura geral de mais um país sulamericano e compreender sua relação com o esporte bretão. E de tudo isso, o que pude tirar de conclusão, é o seguinte: Enquanto houver um estádio de futebol e moças de ancas largas, nunca deixaremos de ser latinos. E tenho dito...
FLACO BIGLIAZZI
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