segunda-feira, 30 de junho de 2008

LA PROMOCIÓN A LA PUTA QUE LA PARIÓ

Hoje o dia amanheceu nublado, mas para mim o céu nunca esteve tão celeste e branco. Nem para mim e muito menos para os milhares de racinguistas, que por fim puderam desfrutar de um domingo de alegria. Que semestre maldito, poderia ter menos meses, menos dias, menos rodadas. São coisas de ano bissexto e tivemos que jogar a maldita promoción, essa que definiria a sorte de um clube que sofreu grave crise institucional e futebolística gerada pelo amadorismo da empresa gerenciadora que renunciou o apoio dos sócios e dos fanáticos torcedores para fechar-se em uma empreitada em que não podiam caminhar sozinhos.Estes só puderam contribuir dentro do campo e com inúmeras manifestações de repudio a Blanquiceleste e seu gerenciador Fernando de Tomasso.
Ontem eu acordei como se estivesse em 2001. A Argentina vivendo uma grave crise econômica e política, devido as tolas medidas do governo Kirchner(gestão publica não parece ser coisa de racinguistas) em relação ao conflito com os ruralistas que aguçou a já caótica inflação no país. Dentro desse deja vu, pude perseber que o Cilindro estava repleto, desde 2001 não o víamos tão bonito. Coloquei a minha camisa celeste e branca e sintonizei a gloriosa Justin Tv. Os 10 minutos iniciais foram coronários, o Racing não conseguir ser o dono da pelota, regalava a redonda sempre para os cordoboses. Era bicão pra cá, passe errado pra lá e pouca lucidez. Eis que uma jogada daria a noção que a má sorte das 19 rodadas e do jogo de ida haviam terminado.Após um “pelotazo” da defesa, o atacante do Belgrano ganhou na corrida de Mercado e de Cáceres e chutou rente ao poste de Martinez Gullota. O calvo arqueiro, tirou essa com o olhar e com seus escassos cabelos. O Grande momento estava por vir. Segundos depois viria a grande jogada racinguista do semestre. Matías Sánchez Trava, ganha a dividida e, no chão, da o passe para Maxi que avançou alguns metros em diagonal e tocou no meio para Sava. O Colorado, que não é o Chapolin, mas é astuto, viu que o “Enano” entrava na área, e deu um passe riquelmeano Livre de marcação, o camisa 10 encara, pensa, olha para o lado para saber se chega um companheiro mas percebe que ele mesmo é quem devia definir a jogada, e de direira ante a saída de Olave anota o gol da salvação. Golaço que o saudoso Jorge festeja lá no céu dizendo “ La promoción a la puta que la parió”. E temos como nunca dito...

FELIPE BIGLIAZZI DOMINGUEZ

quarta-feira, 4 de junho de 2008

PIZARRÓN DEL FLACO: SINTA A LIGA

De Drauzio Varela e Daniel Johnston, todo mundo tem um pouco. Os provérbios chineses e os velhos deitados já haviam dito, mas ninguém se importou. Mas como sou jornalista e tenho que ter uma postura crítica e séria, serei imparcial e deixarei esses casos sociais aos cuidados de Bono Vox e sua turma. Sem mais histórinhas sem graça, poia não é o meu forte, vamos ao que interessa pois o velho Flaco dará mais uma vez um tostão de seu Pizzarón, analisando o grande time desta edição da Copa Libertadores, a LDU de Quito.
Algumas pessoas pensam majoritariamente com o lado direito do cérebro.Isso não é para se levar em conta, mas quando falamos de patriotismo, esse detalhe esta para se destacar. Quando a Libertadores tem início, muitos comentaristas tupiniquins fazem média com os torcedores que almejam tocar o mais importante troféu do futebol sulamericano. No ritmo do carnaval, uma lista de favoritos é confeccionada. Seja ano bissexto ou não, os azarões são sempre os mesmos: Todos os times que não sejam brasileiros ou o Boca Juniors. Tirando o ufanismo e o puxa-saquismo que da audiência, esse raciocínio é lógico. desde que se analise o que vem realizando algumas equipes “marginais” nos últimos anos. É o caso da Liga Deportiva Universitária(LDU) de Quito que construiu uma base sólida nesta década, servindo muitos jogadores para a seleção equatoriana e fazendo boas campanhas nas ultimas edições da Libertadores. Há dois anos sob o comando do argentino Edgardo Bauza, a LDU chegou fortalecida para a disputa da Libertadores, devido ao enfraquecimento dos times brasileiros e argentinos e da renovação da sua base estrutural. O esqueleto do time foi formado no inicio da década por Ceballos, Campos, Urrutia e Ambrosi. Sem contar com os reservar Obregon e Franklim Salas que também servem a seleção. Essa base sólida contou com a incorporação de bons jogadores argentinos que por uma serie de fatores individuais não tinham mercado em seu país, é o caso de Araújo, Manso e Bieler. Além da juventude de Guerrón e Bolaños, peças fundamentais no esquema tático do time.

LDU(D.T EDGARDO BAUZA) 3-3-3-1

----------------------------------CEBALLOS-------------------------

--------------CALLE-------------ARAUJO------------CAMPOS------
-------------VERA---------------URRUTIA----------------AMBROSI

GUERRON---------------------- MANSO------------------BOLAÑOS

-------------------------------- BIELER-------------------------


O goleiro Ceballos não é dos mais seguros. Mas a sua experiência junto a seleção equatoriana e a ascendência sobre o grupo faz dele uma peça importante para a LDU.
A ultima linha é composta por três defensores. O argentino Norberto Araújo é o zagueiro da sobra e vem atuando de forma impecável nesta função. Pelo lado direito se posiciona Calle, que é o menos seguro dos três zagueiros, mas que tem um papel fundamental no esquema defensivo, já que os adversários costumam atacar pelo lado esquerdo do ataque com intuito de tirar o ímpeto do ponta-direita Guerrón, que é a principal arma ofensiva da LDU. Pelo lado esquerdo da defesa atua Campos, o defensor da seleção equatoriana faz às vezes de lateral direito, já que Bolaños e Ambrosi se mandam constantemente ao ataque deixando um buraco pelo seu setor.
Vera e Urrutia são os volantes da equipe. Urrutia atua mais como cabeça de área central. É o capitão da equipe e o responsável pela saída de bola da equipe e pela marcação da faixa esquerda do meio campo, quando Ambrosi se manda ao ataque. Pela faixa direita do meio-campo atua o ótimo Vera. O jogador tem um bom passe e a função de cobrir os avanços do ponta-direita Guerrón. Ambrosi fecha o meio-campo pelo setor esquerdo, é o mais ofensivo dos meio campistas, auxiliando Bolaños e Manso pelo lado esquerdo do ataque e retrocedendo alguns metros para ajudar Campos e Urrutia na marcação pelo seu setor.
A LDU talvez seja a única equipe da Libertadores que atue com dois pontas autênticos.O habilidoso Guerrón pela direita e o não menos veloz e sagaz, Bolaños pela esquerda. Guerrón foi a revelação do torneio e a principal arma ofensiva da LDU. Tornou-se a enxaqueca dos treinadores adversários, que se desdobravam em buscar formulas e marcadores para o deter.
Com liberdade total para jogar no ultimo quarto do campo atua o argentino Damian Manso. Baixinho ranheta, que conduz bastante a bola e tenta chutes venenosos da entrada da área. É o responsável em abrir o jogo para Bolaños e Guerrón e servir o único atacante de área que tem o time, o seu compatriota Bieler. O centroavante argentino conquistou a vaga de titular deixando o veterano Delgado na reserva. É um jogador apenas esforçado que se destaca pelo empenho e por certo faro de gol.

EU ANALISO

Os matemáticos dizem que o futebol não tem lógica e quem sou eu para descordar?!. Por isso mesmo, não aposto meu dinheiro em nenhum time nesta Libertadores. Isso não me tira o direito de analisar. E segundo meu pizarrón, nenhuma equipe foi superior a LDU neste campeonato. O Boca Juniors tem grandes individualidades e este gênio chamado Juan Román Riquelme, mas chegou a essa instancia da competição com grandes dificuldades. O ótimo trabalho coletivo e os 2.800 metros da altitude de Quito podem sim fazer da LDU, o primeiro time equatoriano a libertar a América, para que chorem San Martin e Dom PedroI. E dito cujo...

FLACO BIGLIAZZI

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O QUE ANALISAVAMOS... FINAL DA COPA INTERCONTINENTAL 2000

O QUE ANALISAVAMOS..., eis a questão. Por essas e outras, imaginei que teria que atacar de sentimentalismo futeboleiro pra cima do velho Flaco. Ele não deixaria de estudar e analisar os jogos atuais, para voltar no tempo e relembrar com quantos paus se leva um carro japonês.
Mais genial que a pauta em si, foi imaginar onde estaria e o que fazia no dia do jogo.Esse seria meu trunfo para convencer o Flaco O jogo inicial que o relembraremos é a final da Copa Intercontinental de 2000. Boca e Real Madrid disputaram o título num caloroso 28 de Novembro. Aonde estaria nesse momento?. Talvez com minha jovem namorada, indo na excursão do colégio para o Hopi Hari.Não descartaria o convite para uma visita ao Queens, muito menos a uma pizzinha do apocalipse, cheio de futuros rockstars andreenses. Mas o Flaco não, sagaz como só ele, o glorioso analista estava desfrutando e enriquecendo seus conhecimentos futebolísticos. E assim sendo, deixo com o mesmo a batuta para que ele possa dar um tostão do seu Pizarrón. Arrebenta Flaco.

Olá, como vão?.Tudo bem?.me alegro. Pois bem, começo a relatar o que foi esta final da Copa Intercontinental entre Boca e Real Madrid, partindo do desenho tático das duas equipes e dos duelos individuais que marcariam a partida.

REAL MADRID

--------------------------------CASILLAS----------------------------------
GEREMI---------HIERRRO---------------KARANKA-----------R.CARLOS
---------------MAKELELE----------------HELGUERA-------------------
----------------------------------GUTI------------------------------------
--------------------FIGO-----------------------MCMANAMAN
---------------------------------RAUL--------------------------------
BOCA JUNIORS

----------------DELGADO---------------------------PALERMO-----
---------------------------------RIQUELME-------------------------
----------------BASUALDO--------SERNA-----------BATTAGLIA-----
----MATELLAN---- TRAVERSO------------BERMUDEZ---------IBARRA
----------------------------------CORDOBA--------------------



OS DUELOS

O time do Real Madrid escalado pelo técnico Vicente del Bosque, tinha Raul isolado na frente, o que facilitou o trabalho dos zagueiros xeneises Bermudez e Traverso. Figo jogava bem aberto pelo lado direito, batendo na marcação de Basualdo, que retrocedia alguns metros para ajudar na marcação, e de Aníbal Matellán que jogou improvisado no setor justamente para anular as ações do português. Mcmanaman auxiliava Roberto Carlos na subida ao ataque, os dois batiam na dura marcação de Sebastián Battaglia, Serna e Hugo Ibarra. Guti teria muita liberdade pois Serna que seria seu marcador estava sempre na sobra da marcação sobre Roberto Carlos, mesmo assim pouco apareceu no jogo. Makelele e Helguera eram os responsáveis pela saída de bola da equipe. Makelele subiu bastante ao ataque ajudando o Figo nas ações ofensivas pelo lado direito.Sua marcação ficou aos cuidados de Basualdo. Helguera subiu pouco ao ataque devido aos avanços de Chelo Delgado pelo seu setor e pelas inúmeras subidas ao ataque de Roberto Carlos que forçavam Helguera a cobrir o lado esquerdo da ultima linha madrilista. Geremi subiu poucas vezes ao ataque, onde foi bem controlado por Basualdo, Matellan e Traverso .
Carlos Bianchi armou inteligentemente seu time para essa final. Um time que esperaria o Real Madrid para sair rápido nos contra-ataques, que seriam puxados por Delgado. O treinador argentino também apostou na genialidade de Riquelme para meter o passe final e para ditar o ritmo do jogo. Os laterais do time argentino eram nulos nas ações ofensivas. Matellan muito preocupado com Figo e Ibarra sofrendo com os avanços de Roberto Carlos nem passavam do meio-campo. A saída de bola ficava a cargo de Riquelme e Basualdo. Os dois jogavam quase na mesma faixa do campo, aonde batiam na marcação de Makelele e Geremi.No segundo tempo, Riquelme se posicionou mais na faixa central do meio campo, prendendo bola com maestria para desespero de Makelele, que sofreu um bocado com o talento do meia. No inicio do jogo Delgado caia pela ponta esquerda do ataque infernizando Geremi e Makelele. Mas logo iria se deslocar para o lado direito com a finalidade de prender Roberto Carlos na defesa, já que o lateral brasileiro incomodava Ibarra e Battaglia em seus avanços. Palermo ficava isolado entre Hierro e Karanka, pouco apareceu no jogo, mas quando o fez....a cobrar muchachos.
O Boca Juniors já não podia contar com Samuel e Arruabarrena que se foram a Europa. No lugar dos campeões sulamericanos, entraram Traverso e Matellán, respectivamente. O Real Madrid praticamente era o mesmo que meses antes havia conquistado a Champions League. Chega de prosa, vamos ao jogo maestros.

O JOGO

O Boca Juniors iniciou a partida pressionando muito a equipe espanhola com a finalidade de recuperar rápido a bola e evitar inconveniências defensivas. Mas quando o jogo ainda esquentava e os jogadores se estudavam, apareceu um passe magistral de Basualdo nas costas de Geremi e Makelele. Delgado dominou pelo lado esquerdo, teve tempo para pensar e executar um passe cirúrgico entre Karanka e Roberto Carlos, Palermo só teve o trabalho de empurrar pro barbante espanhol, tirando o primeiro zero do placar de Tóquio.1x0 Boca, logo aos dois minutos de jogo, nem o maior pessimista dos torcedores do River poderia imaginar tamanho golpe para a sua ilusão.
Após o golpe inicial, o Real Madrid tratou de se impor, pressionando muito o Boca e apostando nas primeiras investidas de Roberto Carlos pela esquerda e de Luis Figo pela direita. Mas os deuses do futebol resolvem aparecer neste tipo de jogo e quando o time espanhol se restabelecia em campo, uma jogada levou ao orgasmo futebolistico aos quase 5.000 torcedores xeneises que foram ao Japão apoiar o campeão da América.
Aos cinco minutos de jogo, Roberto Carlos bate o lateral, Helguera perde a pelota para Battaglia, que entrega rápido para Riquelme. Numa fração de segundos, os deuses do futebol entregam ao dez argentino uma porção mágica de Gerson. Roman faz um passe de quase 50 metros, a la canhotinha de ouro, nas costas de Geremi. Palermo corre como Jairzinho, e cruza no canto direito de Casillas. 2x0 Boca, a contundência argentina deixa atônita a prepotência européia, de que se poderia conduzir a final ao ritmo da castanhola e toro a unha.
Tudo que havíamos dito na analise anterior ao jogo mudaria. O Real Madrid obviamente adiantou todas as suas linhas, forçando o Boca a esperar em seu campo. Logo aos 7 minutos, Roberto Carlos faz uma linda jogada pela direita, iludindo Ibarra após um domínio excepcional com o peito e metendo um balaço no travessão de Oscar Córdoba, que até então era um mero espectador da final.
O time espanhol começava a rodar a bola com muita qualidade. De um lado para o outro, de Roberto Carlos pra Figo e vice-versa. Os volantes argentinos sofriam com os avanços e nem mesmo conseguiam armar os contra-ataques. Aos 11 minutos, após cruzamento de Figo pela direita, Ibarra afastou pessimamente de cabeça, Roberto Carlos dominou ganhando na corrida de Battaglia deixando o jovem volante argentino a ver navios de Hiroshima-Nagasaki. Bomba no ângulo superior esquerdo de Córdoba, e 2x1 no placar.
O Boca não conseguia ter a pelota e pressionado abusava de chutões e passes imprecisos. O Real recuperava rapidamente a posse da bola e tratava com critério as ações do jogo. Roberto Carlos era um terror para Ibarra e Battaglia, forçando Serna a ajudar na marcação pelo lado esquerdo. Aos 16 minutos, os sumidos Guti e Raul, fizeram uma linda jogada pelo meio da defesa boquense. Raul recebeu de Guti e tocou encobrindo o goleiro colombiano do Boca Juniors, que tirou mentalmente a bola de seu arco.
Aos poucos a pressão espanhola foi abaixando. As linhas espanholas foram retrocedendo como nos minutos inicias da partida. Riquelme voltou a aparecer no jogo, ditando o ritmo e sendo fundamental na valorização da posse de bola que tirava o ímpeto dos espanhóis.Makelele começava a sofrer com a técnica apurada do meia argentino para prender a bola no campo rival. Carlos Bianchi inteligentemente ordenou algumas mudanças de posicionamento do ataque xeneise. Delgado invertia de lado, passando a jogar pelo flanco direito do ataque, forçando Roberto Carlos a retroceder alguns metros para ajudar Helguera na marcação do perigoso atacante argentino.Martin Palermo ficou mais isolado pelo lado esquerdo do miolo de zaga, aos cuidados de Hierro. Riquelme se colocou pelo lado esquerdo do meio-campo e Basualdo caiu mais pelo centro. Foi assim que o Boca controlou o final do primeiro tempo, tendo apenas algum trabalho com algumas investidas surpresas de Makelele pelo lado direito.

SEGUNDO TEMPO

O inicio da segunda etapa começou da mesma forma. O Boca controlando as ações, tocando curto, sem muita objetividade mas tratando de deixar a bola longe de seu arco.Logo aos dois minutos, Hierro comete falta em Marcelo Delgado. Riquelme cobra com maestria no ângulo superior direito de Casillas, obrigando o arqueiro a fazer uma linda defesa.
O jogo se tornava frenético e um minuto depois veio a resposta madrilista. Após ótimo passe de Roberto Carlos( de grande partida), que colocou a bola entre Battaglia e Bermudez, Guti recebeu sozinho dentro da área e chutou pessimamente para fora.
Nos minutos seguintes o panorama do jogo ficava de acordo ao time espanhol. O Real Madrid pressionava muito com seus volantes forçando o Boca a recuar e esperar os espanhóis em seu campo. A armadilha de Carlos Bianchi estava pronta, só faltava uma imprecisão dos campeões europeus, que o contra-ataque com Delgado poderia lastimar o Real Madrid. Foi o que aconteceu aos 8 minutos. Delgado puxou um rápido contra-ataque, Palermo recebeu dele e devolveu em grande estilo, mas o atacante não conseguiu fazer o domínio.
A primeira metade do segundo tempo seguiu este ritmo. O Real Madrid pressionava, induzindo o Boca a dar chutões ou errar os passes. Os espanhóis eram donos do meio campo, tocavam bem a bola se aproximando da área argentina, principalmente pelo lado esquerdo com Roberto Carlos e Mcmanaman. O Boca tinha duas possibilidades, os contra-ataques com Delgado ou a bola parada de Riquelme.
Aos 21 minutos entrou Sávio no lugar de Mcmanaman. No melhor momento do inglês no jogo, o técnico Vicente Del Bosque apostou em Sávio, que atuaria bem aberto pela esquerda, jogando em cima de Ibarra. Riquelme tentava valorizar a posse de bola mas seus companheiros seguiam imprecisos, devolvendo a posse de bola com facilidade para o conjunto merengue e cedendo alguns infantis contra-ataques.Aos 31 minutos entrou Morientes no lugar de Makelele. O treinador espanhol,gastava sua ultima cartada, colocando mais um jogador de área para ajudar Raúl em possíveis cruzamentos. O desespero do Real Madrid era eminente, o time começava a forçar cruzamentos na área mas Bermudez e Traverso estavam impecáveis por cima.
A saída de Makelele fez com que o Real Madrid perdesse o meio-campo, que ficou a cargo do Boca. Riquelme começou a esconder a bola e a gastar o tempo com muita inteligência e categoria. O cansaço do time espanhol começava a aparecer. O time que havia insistido o jogo inteiro, virando a bola de um lado para o outro, já não tinha mais força. Riquelme valorizava a posse de bola a cada segundo, forçando os espanhóis a correr ainda mais para recuperar a pelota. Os 15 minutos finais de Riquelme são para guardar e rever. Muita pausa e Toco y me voy. O Real Madrid ainda tentou alguns cruzamentos com Figo mas já não havia mais tempo. Aos 43 minutos entrou Guillermo Barros Schelloto no lugar do brilhante Delgado, que junto de Riquelme foi a figura do Boca nesta final. Aos 47 entrou Burdisso no lugar de Battaglia apenas para fazer tempo. Mas a taça já estava na mão e como bem diz o velho deitado. Quem ri...quelme primeiro, valoriza a posse de bola e ri ainda mais ao apito final. E tenho dito...

EU ANALISO!
Esta seção pode servir para desmistificar alguns mitos futeboleiros, é se a carapuça serve, demonstrarei para aqueles que apontam La Bombonera e sua torcida como os principais fatores para o domínio continental do Boca Juniors nesta ultima década. Esse jogo que acabamos de destrinchar mostra quatro titulares que ainda fazem parte do atual plantel xeneise.São eles: Hugo Ibarra, Sebastián Battaglia, Juan Roman Riquelme e Martin Palermo. Isso sim explica o motivo para os êxitos esportivos do clube de La ribera. Os jogadores experientes, talentosos e vencedores dão sustentação para que as revelações das categorias de base vão se incorporando ao time de forma natural. Nesta época os jogadores mais experientes eram Chicho Serna, Bermudez, Basualdo e Delgado.Esta filosofia foi implantada no final dos anos 90, quando assumiu como técnico Carlos Salvador Bilardo e foi consagrada nas mãos de Carlos Bianchi. Esta formula foi mantida através de toda a década, e daí saíram os talentosos: Riquelme, Battaglia, Ibarra, Clemente Rodriguez, Nicolas Burdisso, Carlos Tevez, Fernando Gago, Ever Banega, Rodrigo Palacio, entre outros. E gerou para o clube: 4 Libertadores (2000,2001,2003 e 2007) 2 Copas Intercontinenal(2000 e 2003) e a tal mística copera que o persegue.já vinha frisando....

FLACO BIGLIAZZI