terça-feira, 29 de abril de 2008

PIZARRÓN DEL FLACO: NO LO CANTEN, NO LO GRITEN, NO SE ABRAZEN

No lo canten, no lo griten, no se abrazen.O Boca está mais vivo do que claro, nesta Libertadores. O clube de la ribera, mostra outra vez que tem muito crédito em torneios internacionais, devida a uma impressionante mística copera. Todas as equipes sobreviventes dessa competição já começam a lamentar, ao compasso do jargão usado por Sebastian Vignolo, narrador esportivo do canal 13 da Argentina. Como no ano passado, o conjunto xeneise se safou da eliminação com uma goleada dramática somada a uma dose de ajuda do Atlas, clube mexicano comandado pelo ídolo do clube, Miguel Angel Brindisi. O clube precisava vencer o Maracaibo por quatro gols de diferença, fez três, mas foi o suficiente para se classificar em segundo lugar na chave, graças ao empate do clube mexicano contra o Colo-Colo no estádio Monumental de Santiago.

O Boca versão 2008, comandado por Carlos Ischia, é uma copia irregular do time campeão sul americano do ano passado. Joga num esquema 4-4-2, onde as ações ofensivas ficam a cargo de Juan Roman Riquelme e da entrosada dupla de ataque formada por Palacio e Palermo. A equipe ainda conta com experientes jogadores na parte defensiva como Ibarra, Morel Rodriguez e Sebastian Battaglia.
O goleiro, como no ano passado é Mauricio Caranta. O cordobês venceu a desconfiança da torcida e foi o primeiro a se firmar no clube, após a saída de Pato Abbondanzieri e do fracasso do paraguaio Bobadilla.Caranta não é um arqueiro seguro na saída do gol, porém possui um bom reflexo e personalidade.

A zaga é o ponto fraco do time. O miolo defensivo é composto pelo paraguaio Cáceres e pelo jovem Paletta, que se lesionou no jogo contra o Maracaibo e poderá ser substituído por Maidana ou por Morel Rodrigues improvisado, que no ano passado atuou como zagueiro pela esquerda. Hugo Ibarra, o lateral-direito mais vencedor da historia do clube, tem características parecidas a un lateral brasileiro. Boa técnica, preparo físico para ir ao ataque e boa noção de cobertura.Essas características somadas a sua experiência de tricampeão sulamericano(2000,2003 e 2007) deixam a torcida boquense tranqüila, a lateral-direita esta bem representada. Ibarra vem de uma lesão que o afastou de boa parte da primeira fase da competição, seu substituto foi o uruguaio Álvaro Gonzalez.
O Dono da lateral-esquerda é o paraguaio Cláudio Morel Rodriguez. Jogador de boa técnica que possui um bom índice nos cruzamentos, além de bater boas faltas e de ser eficiente nos desarmes defensivos. A lentidão em subir ao ataque é sua debilidade. Pode atuar como zagueiro pela esquerda, como jogou na edição passada da libertadores, onde se sagrou campeão atuando ao lado de Cata Diaz. Sofreu uma lesão na partida de volta contra o Atlas em Guadalajara, que o deixou de fora dos últimos dois na primeira fase, quando foi substituído pelo jovem Monzon.

A segunda linha do time tem o mesmo desenho da temporada passada. Um losango que tem Sebastian Battaglia como cabeça de área. O experiente meio campista é o responsável pela retomada de bola. Terá a mesma função que desempenhou na temporada passada, Ever Banega, que hoje atua no Valência.
Pelo lado direito do losango está o ex- jogador doInternacional de Porto Alegre e do América de Cali, Fabian Vargas.Quando o time possui a pelota, o colombiano será o encarregado de desafogar o meio campo pelo lado direito. Retrocede alguns metros para ajudar a Battaglia quando o time não esta com a bola. Por esta característica mais defensiva, leva vantagem sobre Ledesma, que atuou nesse posto na temporada passada.Pela faixa esquerda estará Jesus Datolo, que conquistou a posição após amargar a reserva de Nery Cardozo em 2007. O jovem revelado pelo Banfield esta no melhor momento da carreira. Por sua irregularidade no passado, foi muito cobrado pela torcida, mas desde a chegada de Carlos Ischia, conquistou a posição, após disputa com o não menos irregular, Nery Cardozo.
O extremo ofensivo do losango é composto pelo maior jogador do futebol sulamericano, Juan Roman Riquelme. Como todos sabem, as ações ofensivas do Boca passam por seus pés. O perigo vem por todos os lados. Com sua pausa e rapidez mental é muito difícil marca-lo. Para completar o repertorio, suas cobranças de bola parada são letais. Pode consagrar-se nesta temporada como o mister libertadores, com quatro conquistas como principal figura do torneio. Como bem lembram, palestrinos(2000 e 2001) e gremistas(2007).
O ataque é composto pela dupla mais bem entrosada do futebol sulamericano. O rápido e habilidoso Rodrigo Palácio e o sagaz goleador Martin Palermo.

O Boca é treinado por Carlos Ischia, que era auxiliar técnico de Carlos Bianchi nas conquistas de 2000 e 2001. Iniciou a carreira como treinador no Vélez Sarsfield e teve uma passagem apagada comandando o Rosário Central no ano passado.
A equipe que iniciará as oitavas de final não poderá contar com os titulares: Ibarra, Morel Rodriguez e Paletta que seram substituídos por Álvaro Gonzalez, Fabian Monzon e Jonathan Maidana.


....................................CARANTA..........................

A.GONZALEZ.........MAIDANA.............CACERES............MONZON

...................................BATTAGLIA..........................

......................VARGAS......................DATOLO.....

.....................................RIQUELME.........................

.....................PALACIO....................PALERMO..


EU ANALISO!
Apesar do ótimo plantel de jogadores, o Boca Juniors tem um começo irregular na temporada. As seguidas lesões de jogadores importantes, forçou Carlos Ischia a implantar um sistema de rotatividade do plantel, o que tardou um melhor entrosamento que resultou em um rendimento medíocre. A equipe terminou ou fase de grupos na segunda colocação, com 10 pontos. A defesa, ponto fraco do time, sofreu nove gols em seis jogos. Enquanto o ataque anotou doze gols. No torneio Clausura da Argentina, o Boca se encontra na quarta colação com 23 pontos em doze rodadas disputas.

Mistica em um torneios como a libertadores é importante, mas não é esse o segredo do dominio do Boca Juniors nessa decada. Desde a chegada de Mauricio Macri, as finanças se arrumaram e o exito institucional começou a aparecer. Principalmente com o trabalho nas categorias inferiores do clube, que armou a base dos times campeões da america. Além do fator estrutural, o Boca contou com uma formula futebolistica sequencial. 4-4-2, com bastante prata da casa, toque de bola curta, dinamica coletiva para exercer pressão sobre o adversario em todas as suas linhas e personalidade para encarar os jogos como visitante como se estivesse em La Boca. Somados a qualidade invidual de craques como Riquelme e o temor que La Bombonera gera nos adversarios, faz do Boca um monstro continental. a ver o proximo capitulo deste ROMANce entre Boca e a Libertadores, que aparentemente não tem fim.

FLACO BIGLIAZZI

domingo, 20 de abril de 2008

PIZARRÓN DEL FLACO: ALGO MAIS QUE UM CUCHILLO ENTRE LOS DIENTES

O melhor protesto que alguém sensato pode fazer, é evitar de contribuir com esta rapaziada andreense, que apenas pensa em Big Brother Brasil, no caso Isabella e em ganhar dinheiro trabalhando feito louco, para depois gastar no motel ou cheirando gasolina com sua gatinha nos finais de semana. Pior que tem tanto desocupado passando do lado de casa, escutando esse maldito funk do creu, e esse não menos maldito, Black Eyed Peas, que soam em alto e ruim som só para encher os meus colhões. Estou de saco, é por isso que essa vida de vagabundo idealista cansa. Mesmo assim vou contribuir com essa deprimente galera, apresentando essa nova seção, onde analisaremos taticamente alguns dos grandes, médios e pequenos times do futebol atual. Em homenagem ao lateral e arrumador de meiões, Roberto Carlos, que disse que a tática no futebol não existe, batizaremos esta seção com o nome de: Pizarrón Del Flaco.
Muricy Ramalho, Renato Gaúcho, Joel Santana, Emerson Leão e Adilson Batista. Essa é para ustedes. Fiquem de olho neste primeiro Pizzarón Del Flaco, pois analisaremos a este novo River Plate, que comandado por Diego Simeone, tentará nesse primeiro semestre, tirar o clube de Nuñez de uma seca de quatro anos sem títulos nacionais e onze anos sem títulos internacionais.
El Cholo Simeone, que como jogador ficou marcado por seu jogo defensivo/eficiente e por hora truculento, disse certa vez uma famosa frase que seus companheiros deveriam entrar em campo como ele, com o cuchillo entre los dientes(faca entre os dentes), metáfora de garra no futebol argentino. Esse mesmo Simeone, que em seu brilhante inicio como treinador mostra ser adepto do futebol ofensivo e bem jogado.
O treinador assumiu o conjunto “millonario” no inicio do ano, após exitosa passagem pelo Estudiantes de La Plata, onde conduziu a equipe platense ao título do Torneio Apertura de 2006, que tinha como figura, seu ex-companheiro de Lazio e seleção argentina, Juan Sebastián Veron.
O River vive um difícil momento institucional e esportivo. A crise política e financeira da gestão de José Maria Aguilar e a sangrenta disputa pelo poder de sua barrabrava, vem afetando o time dentro de campo. Para piorar a situação, seus torcedores não agüentam mais as seguidas conquistar de seu rival eterno, que é o atual campeão da América e favorito a levar esta nova edição da Copa Libertadores, sob a batuta do fabuloso Juan Roman Riquelme.

O River Plate versão 2008, joga no ofensivo sistema 4-2-3-1. Com Carrizo na meta, este que talvez seja o melhor goleiro argentino dos últimos anos, que já tem seu passe vendido a Lazio, equipe que defendera a partir do segundo semestre de 2008. Rápido na saída do gol, ótimo no quesito reflexo e com muita personalidade nos lances decisivos dos grandes jogos, como foi demonstrado nos últimos super clássicos contra o Boca Juniors, quando se consagrou como figura.
O lateral-direito Ferrari tem boa técnica tanto para defender como para atacar, participa bastante das ações ofensivas pelo lado direito do ataque auxiliando Ponzio e o chileno Alexis Sanchez. O lateral-esquerdo Cristian Villagra possui características defensivas, não sobe muito ao ataque, com a incumbência de fechar a linha de quatro defensores pelo flanco esquerdo. A zaga é composta pelo experiente Tuzzio, que fica na sobra pelo lado esquerdo do miolo central e pelo jovem Cabral, que deixou o Racing no inicio do ano e cobre o lado direito da defesa.
Os dois volantes do River são técnicos com a bola nos pés, e sofríveis na recuperação da pelota. Pela esquerda está Abelairas, que é o responsável pelas cobranças de bola parada, além de auxiliar Villagra quando o River está sem a bola e pela saída de bola até chegar a Buonanotte. Pelo setor direito está Ponzio, o ex- Zaragoza e Newells Old Boys, é o responsável pela saída de bola e por auxiliar Ferrari, tanto nas ações defensivas como ofensivas. Ponzio disputa a posição com Ahumada, que possui caracteristicas mais defensivas, sendo mais eficiente na cobertura do lateral Ferrari.
A terceira linha do time e principal setor de criação é composto pelo chileno Alexis Sanchez, bem aberto pelo flanco direito e pelo habilidoso Buonanotte, que lembra Juninho Paulista no inicio de carreira, que atua aberto pela faixa esquerda do ataque. Lembrando que o pibe, comparte a titularidade com Rodrigo Archibi, canhoto revelado pelo Lánus que atua mais em jogos válidos pela Copa Santander Libertadores. Pelo centro joga Radamel Falcao Garcia, o perigoso meia-atacante colombiano que trabalha constantemente com Alexis Sanchez e Buonanotte, além de encostar no único atacante de oficio que tem a equipe, o uruguaio Loco Abreu, jogador que tem como maior trunfo em seu jogo, as jogadas áreas, devido a sua grande estatura e faro de gol.

DESENHO TÁTICO(4-2-3-1)
...........................CARRIZO...........................................

FERRARI........CABRAL........TUZZIO...........VILLAGRA


.........AHUMADA....................ABELAIRAS.......................


A.SANCHEZ........FALCAO...............BUONANOTTE

....................... LOCO ABREU..............................

Simeone ainda tem grandes opções no banco de reservas. Como os zagueiros, Nico Sanchez e Nasuti. No meio campo possui o combativo Ahumada e o bom meia-direita Augusto Fernandez. No ataque tem o ex- jogador da seleção argentina e do Ajax, Mauro Rosales. Ainda espera o regresso do grande ídolo do clube, Ariel Ortega, que se recupera de problemas relacionados ao alcoolismo.
Completadas as onze rodadas iniciais, o River Plate lidera o Torneio Clausura ao lado do Estudiantes de La Plata, com 24 unidades . O ataque converteu 7 gols até aqui, enquanto a defesa é a melhor do torneio, sendo vazadas em apenas quatro oportunidades. Na Libertadores, a equipe se classificou em primeiro lugar do grupo 5 com 12 pontos conquistados. O ataque converteu 14 gols, enquanto a defesa sofreu 8 gols.
EU ANALISO!
Tenho convicção que este time do River Plate tem tudo para mudar a imagem recente de fraquejar em momentos decisivos, ainda mais na Copa Libertadores aonde é bem possível que alguma equipe brasileira apareça no caminho do conjunto millonario. O River sob o comando de Cholo Simeone, tentará dosar o tradicional bom futebol riverplatense com a filosofia do cuchillo entre los dientes, para que acabem de vez as provocações dos rivais, que dizem que em Nuñez, a Copa se mira pero no se toca. E tenho dito...
FLACO BIGLIAZZI

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A FALTA DE HOMENS QUE LEVAM O OLÉ EMBAIXO DO BRAÇO

Um grande amigo, que regularmente escreve neste prestigioso blog, me presenteou no início deste mês com o Guia do Torneio Clausura da Argentina. Uma das coisas que mais me chamou a atenção no enredo da revista, foi a campanha publicitária do Diário Olé, intitulada Hombres de Olé bajo el brazo, aonde existe uma fantástica defesa ao folclore do futebol e uma critica irônica ao “superprofissional” futebol moderno.
A propaganda que ocupa uma página inteira,contém uma foto de um homem, levando seu Diário Olé dobrado por debaixo de seu braço direito, enquanto caminha em frente ao Estádio Monumental de Nuñez. Acima da foto, estão os mandamentos de como deve se comportar um “HOMBRE DE OLE BAJO EL BRAZO” quando joga futebol: não pede cartão amarelo para um rival, não deixa o time com dez em campo, pede para bater o quinto pênalti da série(Edílson e Gustavo Nery reprovados), divide forte porém lealmente, mete um rolinho quando o jogo esta zero a zero ou perdendo, não manda em cana a um companheiro(Grafite reprovado), si tiver que dar bicão assim o faz, não escapa de fazer sexo antes das partidas(Romário aprovado), não põe o cabelo atrás da orelha(Sérgio Ramos e Fernando Gago, reprovados), canta o hino, não agacha a cabeça na barreira( Roberto Carlos...), reconhece a superioridade do rival , joga da mesma forma em qualquer campo(bolivianos, reprovados), não exagera quando sofre falta(Valdivia, reprovado), grita o gol e não dança nas comemorações(Inzaghi e Cambiasso aprovados), não grita o gol contra o time que o revelou( Denilson, reprovado), Não chora, somente no rebaixamento ou em uma eliminação de Copa Do Mundo(Betão, aprovado), Põe a caneleira apenas por causa das regras( Renato Gaúcho, aprovado), se estiver bem não pede para sair, se não estiver bem pede para sair.
É irritante ver como as pessoas que vivem do futebol ignoram o lado folclórico do futebol, alegando que já não há espaço para esse tipo de coisa num esporte profissional que move cifras cada vez maiores. Porém, muitos se esquecem que exatamente esse ingrediente é faz do futebol algo a mais do que um simples esporte. A ultima discussão nos programas esportivos que ilustra o meu argumento, é no caso Denílson. Na questão se deveria ou não comemorar o gol contra o São Paulo. Quase 100 % dos comentaristas ridicularizaram o discurso do ex-são paulino, que disse que não comemoraria um gol contra a equipe que o viu nascer. Lamentável que o jogador tenha voltado atrás, e contrariado o seu discurso inicial, quando de fato fez um gol contra o São Paulo e comemorou de forma veemente, influenciado pela repercussão negativa na mídia, aliado ao péssimo tratamento que recebeu dos “barões do Morumbi”( Denílson, foi impedido que realizar tratamento no C.T da Barra Funda pois segundo os dirigentes tricolores, séria uma péssima influência para o grupo. Assim como seus colegas de balada, Carlos Alberto e Adriano...?).
Faz parte da ética do jogador argentino não comemorar gol contra a ex-equipe, assim como outras condutas que a propaganda do Olé enfatizou brilhantemente, que por aqui são ocultadas ou ridicularizadas pelas pessoas envolvidas com o futebol(treinadores, dirigentes, jogadores, jornalistas e torcedores). É preciso mudar a mentalidade antes de criticar o Roberto Carlos e seu meião, a dança do creu, a falta de comprometimento dos jogadores com a seleção e outros fatos lamentáveis que já viraram praxe no nosso futebol. E tenho dito...

FLACO BIGLIAZZI

CHOQUE IMPERIAL NO CHOQUE-REI




Caros amigos, isto é, veja ou época?.Tanto faz, eles não publicam nada sobre o choque-rei e assim sendo, era melhor ter visto o filme do Pelé Hoje dou início a uma nova seção desse digníssimo blog, seção essa, sem um nome definido pois a criatividade ainda não bateu na minha porta, muito por culpa da chuvosa manha que ocasiona neste momento, 160 km de lentidão na cidade de São Paulo, ou talvez seja o efeito da crise da bolsa chinesa, mas acho melhor dar razão ao Seu Madruga, deve ser culpa dos energético. Sendo assim, quem sou eu para duvidar?.
Sem delongas, vamos ao que interessa, alias só isso interessa hoje, o choque rei. Ontem estive no Morumbi e fiquei atento aos detalhes do espetáculo, tudo para dar início a essa seção que tem como finalidade, fazer uma análise com visão subjetiva da arquibancada. Quem levou mais bandeiras?. Qual a reação das torcidas nos momentos cruciais do jogo?. O clima, antes, durante e depois da peleja e porque não, contar detalhes do jogo de uma forma diferente.
Como de praxe sai um pouco tarde da minha residência (culpa do carona, mais conhecido como Passarinho) e mesmo assim não foi possível observar um clima de clássico, ainda mais se tratando de um jogo semifinal. Havia um par de motoqueiros na Avenida Cupecê com camisetas do São Paulo F.C e alguns poucos carros com bandeiras tricolores, mas nada que fosse digno de nota. Movimentação mesmo apenas a 1km do estádio. Chegamos por volta das 15h20 a casa do nosso velho amigo, Henrique Simons, rapaz cortês que vive a 300 metros da entrada principal do Cícero Pompeu de Toledo, e que sempre nos recebe em dias de jogos. De lá, era possível escutar em alto e bom som a torcida do Palmeiras cantando “Da-lhe Porco, da-lhe porco, da-lhe porco...”. A resposta da torcida do São Paulo veio de forma tímida e indecifrável.
Já dentro do estádio foi possível observar que a torcida alviverde havia vencido o primeiro duelo da tarde. A melancólica disputa de bandeiras foi vencida pelo Palmeiras que levou quatra faixas:Acadêmicos da Savoia, Núcleo 1914, T.U.P com bandeira da Itália e Pork’s com bandeira do Chile ao lado, mais um bandeirão da T.U.P. Contra uma misera bandeira tricolor, trazida pela ex- torcida Geral Tricolor, com a figura de Raí estampada, mais um bandeirão da Dragões da Real.
O time do São Paulo entrou em campo ás 15h53, sob um frio recebimento por parte da sua torcida organizada, que cantava: “Porcada no Morumbi o bicho pega...”, esta que estava localizada no setor laranja e “Uh Tricolor, Uh tricolor...”, gritava o resto da torcida, que mostrava sua falta de entrosamento desde o setor azul. O Palmeiras entrou em campo segundos depois ao seu rival e o recebimento de sua torcida não foi muito diferente, podemos destacar um par de rolos de papel que partiram do setor amarelo, única parte da arquibancada destinada a torcida visitante. As duas torcidas, quase simultaneamente, começaram a gritar o nome de seus jogadores, porém a torcida Independente do São Paulo repetiu o seu tradicional ritual de não gritar o nome do lateral-volante Richarlyson.
A torcida palestrina esteve em bom número no Morumbi, alem do setor amarelo da arquibancada, que ficou totalmente preenchida, havia grande quantidade de palmeirenses na geral vermelha e nas cadeiras amarelas. A presença de público tricolor foi aceitável, levando em conta o mau momento futebolístico da equipe e o preço salgado das entradas (40 reais a arquibancada). Dos 37.287 pagantes, aproximadamente 28.000 eram tricolores, que preencheram os setores laranja e azul das arquibancadas, além da geral azul e das cadeiras vermelha e azul.


A PELEJA:

2’: Falta em Valdivia, primeira manifestação da torcida palestrina.
6’: Falta em Hernanes.Torcida tricolor grita o nome de Rogério Ceni, que vai para cobrança.
8’: Primeiro insultos dos são paulinos a Valdivia, com o originalíssimo grito de : “ Ei Valdivia vai tomar no cu” e “Chileno, Viado”.
11’: Gol do São Paulo, Adriano com a mão. Enquanto o resto do estádio grita o nome do time, a torcida Independente canta : “ ohhhhh tomar no cu porco”.
12’: Valdivia toma lindo chapéu de Jorge Wagner, os tricolores vão ao delírio e voltam a insultar o chileno.
18’: Palmeirenses voltam a cantar, depois de um hiato de silencio pós-gol
19’: Mancha Verde ascende fumaça verde, lindo colorido no setor amarelo
23’: Falta não marcada em Kleber e torcida alviverde protesta com o canto mais criativo das torcidas brasileiras: “Ei juiz, vai tomar no cu”.
32’: Após 10 minutos de poucas emoções e manifestações na arquibancada, Rogério Ceni bate outra falta para fora, provocando frenesi na parcialidade tricolor: “ Como eu te amo Tricolor, como eu te amo demais, o dia que tu não existir...”
43’: Um pouco abatida com o domínio tricolor no jogo e com o placar adverso, a torcida palmeirense se manifesta poucas vezes na segunda metade do primeiro tempo. Volta a cantar o tradicional: “Dale Porco, Dale Porco”.
45’: No final do primeiro tempo a Torcida Independente provoca a Mancha, com cantinho inspirado no samba de Beth Carvalho: “Você pagou com traição, Mancha Rosa só tem cuzão”. Resposta alviverde com : “ O Bicharada, O bicharada....”
47’: Fim do Primeiro Tempo. Torcida palmeirense aplaude o time apesar da derrota parcial. Torcida Independente prefere insultar o rival com : “ohhhh tomar no cu porco...”.

O SEGUNDO TEMPO:

1’: Palestrinos começam o segundo tempo incentivando o time, cantando : “ O Palmeiras é o time da virada....”. Resposta tímida dos tricolores.
2’: Enquanto torcida palestrina cantava, Adriano faz o segundo gol. 2x0 São Paulo.
3’: São Paulinos ovacionam o artilheiro da tarde: “Uhh terror, Adriano Imperador....”.
4’: Tricolores agitam com a já tradicional : “Vai lá Vai lá, Vai lá. Vamos São Paulo, vamos ser campeão”.
5’: Linda defesa de R.Ceni em chute de Leo Lima. Tricolores cantam: “PQP, é o melhor goleiro do Brasil, Rogério...”.
6’: Sai Pierre, entra Martinez. Entra Denílson, sai Kleber. Sem manifestações das torcidas.
10’: Camisetas tricolores são agitadas nas arquibancadas laranja e azul, aos cantos : “olé leo, é tricolor...”
11’: Torcida palestrina se cala, enquanto os tricolores tripudiam: “ Chiqueirooooo, silêncio no Chiqueiro...”
20’: Após um hiato das duas torcidas, a Independente provoca com a tradicional: “Pode vim todo mundo, eu não temo ninguém, sou Independente, mato um, mato 100.Não se preocupe amigo, que a paz vai voltar, com a Porcada eu prometo acabar”.
21’: Sai Elder Granja, entra Lenny. Palmeirenses aplaudem a audácia de Luxemburgo.
26’: Pífio chute do ex-são Paulino Denílson, gerando a primeira reação de sua ex-torcida: “ Denílson viado, Denílson viado...”.
29’: Torcida Independente prepara o clima para o segundo jogo: “ Não é mole não, a Independente vai invadir o chiqueirão”.
31’: Pênalti para o Palmeiras.
32’: Gol de Alex Mineiro. Sobe o bandeirão da T.U.P
33’ As duas torcidas se manifestam. Os palmeirenses com: “ Dale Porco, Dale Porco...” e tricolores com: “ tri, co, lor oh oh oh, tri, co , lor...”.
41’: Palmeirenses cantam o hino do clube.
42’: Jogadores do Palmeiras não devolvem a bola. A falta de “fair play” gera protestos dos tricolores: “Timinho, timinho...”.
45’: Pressão palestrina na área tricolor. As duas torcidas se calam, prestando atenção as ações do jogo.
49’: Fim de jogo. São Paulo vence por 2x1 e reverte a vantagem e joga por um empate para ir a final. Palmeirenses aplaudem o time na saída de campo, torcida organizada do São Paulo responde insultando os rivais pela enésima vez, enquanto o resto do estádio grita o nome do time e reconhece a raça dos jogadores. Parcialidade visitante teve que esperar a saída da torcida do São Paulo por motivos de segurança.

EU ANALISO!

Essa primeira experiência não foi tão positiva. Faltou colorido a tarde do Morumbi. Pouco número de faixas e bandeiras, a torcida palmeirense estava descaracterizada pelas camisas verde-limão de muitos torcedores, poucos artefatos pirotécnicos, falta de instrumentos musicais, criatividade nula das duas torcidas enquanto a cantos e público apenas regular. É preciso enfatizar que as ações da Federação Paulista e da Policia Militar são os principais fatores para o pobre espetáculo das arquibancadas. Ingresso a 40 reais, restrição de faixas e bandeiras e a proibição de alguns instrumentos musicais são os principais vilões. Porém, não podemos deixar de cobrar as duas torcidas que poderiam ter apimentado o bom jogo de futebol que tivemos esta tarde no Morumbi. Nota apenas regular para ambas torcidas. E tenho dito...
FLACO BIGLIAZZI