Amigos, o filosofo Bichi Borghi tinha mesmo razão: A retranca nunca é plena, mata a alma e a envenena. E não venham falar em futebol moderno ou em ideais do cálcio, pois o clássico de ontem, entre Racing e Independiente, deu uma vez mais, razão a Muricy Ramalho. Não por suas idéias futebolísticas, que são ferrolhianamente conhecidas, mas por sua celebre frase: “A bola pune”. E como pune. Um time que começa a peleja com três atacantes e termina sem nenhum, inevitavelmente invoca os deuses do futebol contra si. O gol fica maior, a bola vem para o adversário como íman, o zero a esquerda vai pra direita e vira herói, o rival se enche de brios e não dá outra,o castigo é batata... Mas antes de entrar fundo nessas historia, vamos analisar os duelos individuais que marcaram esse empolgante clássico de Avellaneda.
RACING CLUB(D.T: Juan Manuel Llop)
----------------MIGLIORE----------------------
--------CÁCERES------------MERCADO-----------
FRANCO SOSA------YACOB---------------SCHAFFER
PRICHODA-----------------------------ZUCULINI
---------------MAXI MORALEZ-----------LUCERO
---------------------LUGÜERCIO-------------
INDEPENDIENTE (D.T: Claudio Borghi)
---------------------ASSMANN------------------------
----------------------GIODA-------------------------
------------MATHEU--------------G.RODRIGUEZ---------
--------LEDESMA-------PUSINERI---------------MAREQUE
GANDÍN--------------MONTENEGRO--------------F.HIGUAÍN
-------------------------NUÑEZ----------------------
OS DUELOS
O Racing foi superior durante todo o jogo, e se tivesse um centroavante pelo menos razoável, iria ao vestiário com uma significativa vantagem, já na primeira etapa. Mas, Racing é sofrimento, e quem sou eu para mover os pauzinhos?. O domínio celeste e branco, teve início no meio-campo, onde ganhou a maioria dos duelos individuais. Sendo assim e assim sendo, acabou alugando o setor e conseqüentemente, a pelota.
A estratégia do Racing era: roubar a bola e agredir o Independiente pelo lado esquerdo. Zuculini, Lucero e Maxi Moralez investiriam no deficiente setor direito da defesa rival. Cláudio Borghi quebrou a cabeça, e ainda quebra, para encontrar um substituto do lesionado Fredes, na gloriosa lateral-direita. Tentou com Moreira, e deu com os burros na água. Improvisou Ledesma e nada feito. Então apelou para a famigerada linha de três, com Matheu como zagueiro-lateral pela direita, e Ledesma na cobertura, como volante-lateral pelo mesmo setor.
O Independiente atacava com três atacantes: Federico Higuaín, aberto pela esquerda ficava sob a guarda de Franco Sosa, onde foi sutilmente controlado durante todo o primeiro tempo pelo lateral racinguista. Gandín, aberto pela direita, sob a marcação de Schaffer, também fracassou. Leonel Nuñez, foi o homem fixo na área, ficou aos cuidados dos centrais racinguistas, Mercado e Cáceres. O ex- Argentinos Juniors, era um mero espectador do clássico, tendo que sair da área para gerar situaçoes.
Montenegro, atuava como meia-atacante, o famoso 1 do Zagallo. O médio-volante Yacob, era o responsável por custodiar-lo, e o jovem volante-central se saiu melhor que a encomenda.
Lucas Mareque, atuava como lateral-volante, subindo constantemente ao ataque pelo setor esquerdo. O Garoto Prichoda, retrocedia alguns metros para marca-lo. Foi por este setor que nasceu o gol do Independiente, em um rápido contra-ataque. Montenegro, abriu pela esquerda, encontrando Mareque passando como um raio nas costas de Franco Sosa e Prichoda, e a cobrar. Rebote de Migliore e gol de Rolfi Montenegro.
Ledesma avançava pouco ao ataque, e quando o fazia, era acompanhado pelo meio-campista Zuculini.
O setor defensivo do Independiente, tinha Lucas Pusineri como volante central, responsável por conter o talentoso Maxi Moralez. Sofreu bastante com o meia-atacante racinguista, antes que o mesmo sentisse uma velha lesão muscular e deixasse a cancha, quase aos prantos.
Mareque, ficava na responsabilidade de marcar os avanços do jovem Prichoda, onde obteve certa vantagem. Ledesma, além de cobrir o improvisado Matheu, era o responsável de marcar Zuculini. Matheu, atuando como zagueiro pela direita, batia com o meia- atacante Lucero.O uruguaio Guillermo Rodriguez, saia no bote pelo setor esquerdo da defesa, batendo literalmente com Lugüercio, sofreu no começo mas o controlou. Gioda, era o libero, atuando na sobra.
SEGUNDO TEMPO
Com o placar a favor e com o preocupante futebol apresentado, Bichi Borghi tentou reconquistar o meio-campo.Sacou seus atacantes extremos(Gandin e Higuaín) e colocou os volantes, Calello e Toti Rios. Segurou Mareque como lateral-esquerdo e Matheu pela direita.
Callelo pela esquerda, Pusineri pelo centro e Ledesma pela direita, fizeram o trio de volantes. Montenegro, Rios e Nuñez, eram os únicos avançados. Com a entrada do colombiano Grisales no lugar de Nuñez, Montenegro ficou como único atacante. E o rojo, pagou caro por esta decisão.
Com este panorama, o treinador racinguista liberou seus laterais ao ataque. Franco Sosa pela direita e Schaffer pela esquerda. Colocou mais um atacante, o jovem Sanchez Sotelo e terminou o jogo com três meias ofensivos: Zuculini pela direita, Leandro Gonzalez pelo centro e Arrieta pela esquerda. Lembrando, que o Racing perdeu na primeira metade do segundo tempo, o meia Maxi Moralez.
Foi assim que o Racing sufocou o Independiente em busca do empate. Teve o domínio da posse de bola, mas tinha seu impulso cortado. Ora pelo cansaço físico, ora pela falta de qualidade técnica de seus jovens jogadores. E o merecido empate não saia, e parecia que jamais sairia. No entanto, os deuses do futebol apareceram no Cilindro de Avellaneda, para dar justiça ao clássico. Após pelotazo(chutão) do zagueiro Mercado, a cabeça de Sanchez Sotelo sutilmente ajeita a bola, servindo de assistência, no famoso: Seja o que deus quiser.Eis que o lateral-direito Franco Sosa, pinta como o Careca em 86 na área vermelha, para fusilar Assmann, e desatar a loucura acadêmica em Avellaneda.Sem mais para destacar, maestros. Me despido e desejo uma ótima semana futeboleira. E tenho dito...
FLACO BIGLIAZZI
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
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